Brasil Energia | Ed. 481 - Junho, 2023

38 Brasil Energia, nº 481, 13 de junho de 2023 hidroeletricidade aparentemente contraditório frente à ini- ciativa de ampliar as duas UHEs. Em entrevista a Brasil Energia , o exe- cutivo explicou que o processo do leilão de capacidade, que visa a contratação de potência e não de energia, tem recei- ta garantida, atrelada à disponibilidade da instalação para acionamento em ca- so de necessidade. Desta forma, a am- pliação das duas usinas entra em uma contabilidade à parte dos investimentos para ampliar a geração de energia pura e simplesmente. Salto Santiago, de 1.420 MW de capa- cidade, no rio Iguaçu (PR), tem em sua es- trutura dois poços para receber turbinas de 355 MW cada, o que permitiria ele- var sua capacidade para 2.130 MW. No caso de Jaguara, no rio Grande (MG), de 424 MW, há também dois poços para re- ceber duas UGs de 106 MW cada, ele- vando a capacidade total para 636 MW. Segundo a EPE, a primeira está no ní- vel A das usinas passíveis de ampliação, significando que ela tem as estruturas para receber as novas UGs totalmente prontas. Jaguara está incluída no nível B, o que quer dizer que as principais estru- turas para receber as ampliações estão parcialmente prontas. Na conferência de resultados, a di- reção da Engie defendeu também uma decisão do governo brasileiro que torne permanente a decisão recente de ex- portar energia das hidrelétricas para paí- ses vizinhos (Uruguai e Argentina). A regra atual libera apenas a expor- tação de energia turbinável que esteja sendo vertida, mas para Sattamini isso poderia ser perenizado, aproveitando o momento hidrológico favorável. Com- prando energia hidrelétrica mais barata, a Argentina, por exemplo, poderia ficar liberada para vender gás ao Chile. Questionado sobre a incerteza da conti- nuidade da atual fartura hidrológica, o pre- sidente da Engie disse que emuma conjun- tura diferente os países iriam naturalmente ajustar esses mercados, aproveitando que a infraestrutura já existe e não exigiria no- vos investimentos significativos. Sobre o leilão da Copel previsto para acontecer no final deste ano, o presiden- te da Engie disse a Brasil Energia que a decisão do governo do Paraná de fazer a privatização da empresa em Bolsa, nos moldes da venda do controle da Eletro- bras, afasta operadores do setor, como a Engie, uma vez que ela não teria o con- trole da operação. Antes da decisão do governo paranaen- sedevender aCopel por inteiro, aEngieera tida como a principal candidata a adquirir o controle da UHE Foz do Areia (1.676 MW), maior usina da estatal, que já estava à ven- da e que, pela legislação, teria que ser lei- loada até dezembro deste ano. n EDUARDO Sakamori, diretor financeiro da Engie: ampliação das usinas pode adicionar capacidade instalada à empresa EDUARDOSATTAMINI, presidente da Engie Brasil: possibilidade de participar do leilão de capacidade

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