38 Brasil Energia, nº 482, 15 de agosto de 2023 entrevista Suzana Kahn trabalha com pesquisa científica, tem que ver o que realmente existe para poder fazer qualquer tipo de avaliação. Nós não sabemos com segurança se tem petróleo lá, estamos supondo que sim. Portanto, acho que estamos nos adiantando nessa discussão. Mas o Ibama está cumprindo o papel dele, aponta o risco ambiental e ponto. A Marina Silva pode ter a visão dela, é legítima, mas cabe ao governo direcionar as decisões. Não é um ministério setorial que tem que decidir qual caminho de desenvolvimento o País irá seguir, nem tampouco a Petrobras ou o Ministério de Minas e Energia. O problema é que não temos planejamento. Nosso planejamento é orçamentário. Isso é o que falta ao país, saber o que queremos. O Estado brasileiro precisa ter uma estratégia, uma linha de ação que englobe e pondere todas essas visões, os prós e contras e que olhe realmente para um futuro, tenha um pensamento mais estratégico. E qual deveria ser, na sua opinião, a estratégia de atuação da Petrobras? Ela está caminhando bem no cenário de transição energética? Agora, com a entrada do Jean Paul Prates e do Maurício Tolmasquim, acho que a Petrobras começa a se readequar. Não é uma coisa rápida, vai demorar, mas acho que houve uma mudança de direção que é muito importante, que não estava havendo. É difícil até criticar as gestões anteriores, pois a empresa estava muito mal, a Petrobras precisava realmente sanear. Não tinha mais capacidade nem de se endividar. Talvez ter vendido uma série de ativos possa, naquele momento, ter feito sentido, porque estava totalmente depauperada; foi mal gerida, teve corrupção etc. O acionista pode não ter um lucro imediato. Mas acho que você deve pensar na saúde da empresa por um período mais longo e deve começar a mudar a direção dos seus investimentos, seus negócios. Ir para outras áreas, além do óleo e gás, é muito importante para qualquer empresa de energia. A Coppe/UFRJ acabou de lançar o Centro Virtual de Soluções Tecnológicas de Baixo Carbono. Quais são as atividades de pesquisa que vocês vão desenvolver inicialmente? Um dos focos do centro é exatamente o EOR, enhance oil recovery – aumento do fator de recuperação. Então, tem muito trabalho nessa área e principalmente com esses campos do pré-sal, que tem muito CO2. Essa é uma das áreas. Outro tema que temos trabalhado bastante é a de bioenergia. Por exemplo, nós temos um grande trabalho com a Galp sobre BioQAV, que é um dos setores, o de combustível para aviação, que chamamos de hard to abate, que não é trivial reduzir emissões nesses setores. Nós temos trabalhado também com o uso de energias renováveis em plataformas, como energia solar. Não só gerar energia elétrica, mas também dessalinizar a água, porque se você consegue com a energia solar dessalinizar a água do mar, você evita o transporte de água doce e economiza energia. Tem uma série de projetos associados à redução de carbono. Estamos falando da área de energia, mas tem a questão da construção civil, como o uso de biomateriais, resíduos sólidos para fazer concreto. A questão da logística, que é importante, também, pois se consegue reduzir muito a pegada de carbono de produtos finais por meio de um sistema logístico mais eficiente. São vários aspectos que a gente lida na Coppe. É chamado de virtual porque não existe fisicamente, está espalhado pelos diferentes laboratórios da instituição. Acabamos de realizar vários projetos com a TotalEnergies com este foco. Recentemente, o [Alfredo] Renault, ex-superintendente de P&D da ANP, assumiu a gestão executiva deste centro. n
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