Brasil Energia, nº 482, 15 de agosto de 2023 37 dutos submarinos para chegar à costa, tratar o gás e ser distribuído por dutos para outras regiões. Além disso, o gás do pré-sal possui conteúdo elevado de CO2 que precisa ser reinjetado para não ir para atmosfera intensificando o problema do aquecimento global. É mais interessante utilizar o gás para reinjeção, a fim de manter a pressão no poço, extrair mais óleo e, ao mesmo tempo, deixar o CO2 no subsolo. Agora, o gás onshore, que é pouco relativamente, pode ser utilizado em âmbito regional, na boca do poço, fazendo liquefação e levando por small scale, por exemplo, por caminhões criogênicos. Pois ao se considerar o tempo necessário para a construção de um gasoduto e o fato de que as reservas de gás são finitas, o país pode vir a ter uma infraestrutura dutoviária ociosa. Nos EUA, a situação é completamente diferente. O país inteiro está interligado por dutos. Aqui, quando se fala em usar o gás para industrializar o interior, corre-se o risco de construir o duto para chegar lá e quando chegar – não ter volume de gás . Essa é minha crítica, enxergar o gás como opção para industrialização do interior, onde temos outras fontes que deveriam ser priorizadas. Ou é onshore ou biomassa. E a Margem Equatorial? Na sua opinião, devemos ou não perfurar poços exploratórios naquela região? Acho que nas discussões é muito importante saber colocar o enunciado do problema. O enunciado do problema não é esse poço, é uma outra questão que está aí. Em relação a um poço, não vejo problema algum. O ponto essencial que temos que avaliar é se o Brasil vai continuar investindo em explorar petróleo e gás natural ou vai direcionar os investimentos em outras fontes de energia. Sendo essa a questão, volto ao que estava comentando sobre transição justa. Temos recursos suficientes para desenvolver o Brasil todo? Ou precisamos dessa renda do petróleo? Como fazer todo o país, toda nossa população e as gerações que estão vindo terem as mesmas condições das regiões mais ricas do país? Quais são as opções que serão oferecidas para as pessoas que vivem na Amazônia? Acho que essas são as discussões de fundo. Óbvio que não se deve desmatar, acabar com nossos recursos naturais valiosos como nossa biodiversidade, que se deve ter o máximo cuidado com a questão ambiental e ter rigorosos critérios para avaliar as intervenções. Também explorar a ME e produzir eventualmente muito petróleo não significa que irá se enriquecer a sociedade do Amapá e dos estados vizinhos. Se é para manter a região como está, o meu argumento de que se deve avaliar o potencial da Margem Equatorial, cai por terra. O PIB per capita da Guiana cresce a passos largos, mas sua sociedade está rica, por acaso? Veja o Catar e Arábia Saudita. Houve realmente uma melhoria na qualidade de vida daquela população? Essa que eu acho que é a discussão que deveria estar existindo. O que tem importância é como que a gente desenvolve o nosso país e a população, otimizando o uso dos nossos recursos naturais de forma a mitigar os impactos ambientais e maximizar os benefícios econômicos e sociais. E essa discussão não ocorre. Quais modelos de desenvolvimentos a gente quer seguir? Mas você não acha que a decisão do Ibama de não permitir o início dos trabalhos é muito mais uma questão dogmática do que, propriamente, técnica? A ministra Marina Silva, por exemplo, diz que não cabe ao Ibama ditar a política energética do país, mas não cansa de expressar a sua visão de como a Petrobras deveria atuar… Eu não conheço exatamente os estudos do Ibama sobre a Margem, mas acho, até por conta da minha formação, que quem
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