e-revista Brasil Energia 482

50 Brasil Energia, nº 482, 15 de agosto de 2023 tecnologia e inovação Uma empresa nacional, a Apollo, de Campinas (SP), está liderando um projeto inovador para construção de uma usina solar flutuante giratória, que acompanha o movimento do sol para aproveitar melhor a radiação e gerar mais energia. Esse tipo de tecnologia é incipiente mesmo globalmente, com projetos principalmente na Ásia e Europa. Segundo José Alves Teixeira Filho, diretor-presidente da Apollo, especializada em sistemas flutuantes de usinas fotovoltaicas, a instalação experimental está instalada no lago da Estância Jatobá, em Campinas, de propriedade da distribuidora de combustíveis Royal Fic, que também será dona da usina flutuante, a ser conectada como geração distribuída, com 10 módulos solares bifaciais de 690 Wp cada. Para chegar no projeto em elaboração há cinco anos e batizado de “ilha seguidora solar”, Teixeira revela que foram adaptados pequenos motores blindados trifásicos de 3 kW com turbinas de jet-ski de 5 CV para funcionar como propulsores a jato d´água para movimentar a usina flutuante, que gira 180 graus, podendo gerar até 25% a mais de energia do que uma flutuante fixa (que por si só já gera 17% a mais do que uma de solo). A usina, ancorada com um sistema de pivô pelo seu centro, fica apontada de manhã para o nascer do sol, a leste. Com a programação de computador de bordo, são acionados os propulsores para acompanhar o movimento elíptico do sol. Ao meio-dia, em média, diz o diretor, a usina se volta para o norte, continuando seu giro a uma média de 1 grau a cada dois minutos para, no fim da tarde, estar a oeste. No fim do dia de sol, o mesmo sistema informatizado provoca um freio nos propulsores e inverte o giro, em uma sequência mais lenta de movimento, que faz a usina chegar a tempo de, na próxima manhã, estar de novo voltada ao nascer do sol. A operação do movimento, segundo Teixeira, consome apenas 2% da energia produzida pela usina. O computador a bordo é programado com os dados históricos do movimento do sol e, além disso, haverá na usina um magnetômetro para verificar se a usina está seguindo o ritmo correto. Cada propulsor (serão quatro na experimental) contará também com uma bateria para garantir a continuidade da operação, apesar de a usina ser conectada à rede. Expectativa boa Todo o experimento será supervisionado também por pesquisadores da Unicamp. O projeto conta ainda com parcerias na indústria, que ajudarão no fornecimento dos componentes e desenvolvimento de futuras plantas em escala comercial: a AE Solar e a SMA, de equipamentos fotovoltaicos, a produtora de alumínio CBA, a Fortlev, que produzirá flutuadores de PEAD, e a GetPower, de baterias. No mesmo lago, já está instalada e conectada uma usina flutuante igual, de mesma potência, só que fixa. Também em solo há outra em operação, também com a mesma configuração, para testar os sistemas pultrudados de PRFV da Apollo. No local haverá também o sistema flutuante de manutenção, instalação e combate a incêndios, uma barcaça com acionamento de energia fotovoltaica, com os próprios flutuantes da Apollo.

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