e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 105 Mariana Mattos é professora titular da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o Laboratório de Tecnologia do Hidrogênio (LabTecH). Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Mariana Mattos A demanda global por hidrogênio atingiu 97 Mt em 2023, um aumento de 2,5% em comparação a 2022, segundo o Global Hydrogen Review 2024, lançado esse mês pela Agência Internacional de Energia (AIE). A demanda continua concentrada no refino e no setor químico e é coberta principalmente pelo hidrogênio produzido a partir de combustíveis fósseis. Como nos anos anteriores, o hidrogênio de baixa emissão desempenhou apenas um papel marginal, com produção inferior a 1 Mt em 2023, mas com potencial para atingir 49 Mt até 2030 com base em projetos anunciados, quase 30% a mais do que o apresentado no relatório de 2023. Este forte crescimento foi impulsionado principalmente por projetos de eletrólise, com capacidade anunciada chegando a quase 520 GW. A capacidade de produção de hidrogênio de baixa emissão por projetos que alcançaram a decisão final de investimento (FID) dobrou em comparação com o ano passado, atingindo 3,4 Mt. Essa expansão foi equilibrada entre eletrólise e processos que utilizam combustíveis fósseis com captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS). O relatório também revelou um panorama complexo e desafiador quanto ao papel do hidrogênio no cumprimento das metas internacionais de energia e clima. Vários projetos de hidrogênio de baixa emissão têm enfrentado atrasos e cancelamentos, colocando em risco as previsões de aumento de produção. Os principais motivos incluem sinais de demanda pouco claros, obstáculos de financiamento, atrasos em incentivos, incertezas regulatórias, problemas de licenciamento e desafios operacionais. Um desses desafios é a implantação de uma infraestrutura de transporte e armazenamento de hidrogênio, sem a qual o elo entre oferta e demanda não pode ser estabelecido, dificultando o crescimento do mercado e criando barreiras para produtores e consumidores. Além disso, há incertezas em relação aos custos de produção; por exemplo, os custos dos eletrolisadores foram revisados ​para cima no relatório, com base em dados recentemente disponíveis de projetos mais avançados. A futura evolução dos custos dependerá de vários fatores, como o desenvolvimento da tecnologia e particularmente do nível e ritmo da implantação. Os esforços para estimular a demanda por hidrogênio de baixa emissão (e combustíveis baseados em hidrogênio) estão ganhando força à medida que os governos começam a implementar os planos nacionais. Os polos industriais, onde o hidrogênio de baixa emissão poderia substituir a grande demanda atendida hoje por hidrogênio proveniente de combustíveis fósseis, são uma importante oportunidaOportunidades e desafios no setor de hidrogênio, segundo a AIE

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