e-revista Brasil Energia 489

106 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Continuação Mariana Mattos de para os governos estimularem a demanda. No entanto, a escala desses esforços ainda não é suficiente para que o hidrogênio contribua de forma decisiva para o cumprimento das metas climáticas a curto prazo. O relatório deste ano teve um foco especial na América Latina, incluindo análises sobre desenvolvimentos recentes de projetos de hidrogênio de baixa emissão na região e como desbloquear a demanda e avançar para a implementação dos projetos. A América Latina é uma região de grande potencial para a produção de hidrogênio de baixa emissão, aproveitando seus recursos abundantes de energia renovável e uma matriz elétrica amplamente descarbonizada. De acordo com o documento, os projetos anunciados até o momento indicam que a região pode alcançar uma produção de mais de 7 Mt anuais até 2030 (o Brasil contribuindo com cerca de 2 Mt), o que representaria 20% da produção mundial. No entanto, para atingir esse potencial é necessário um aumento significativo na capacidade de geração de eletricidade – equivalente a 20% da produção atual de energia da região – e investimentos substanciais em infraestrutura. O estabelecimento de hubs de hidrogênio na América Latina pode abrir uma oportunidade para aumentar o uso e a produção de hidrogênio para necessidades domésticas, além de exportar combustíveis à base de hidrogênio, bem como materiais produzidos com hidrogênio de baixa emissão. Entre esses materiais, o relatório destaca o ferro briquetado a quente (HBI), uma oportunidade para que países, que hoje são grandes exportadores de minério de ferro, como o Brasil, possam desenvolver novas capacidades industriais e aumentar a escala na cadeia de valor. Outro destaque dado ao Brasil foi a disponibilidade de CO2 biogênico (proveniente de plantas de etanol ou biogás), mais do que suficiente para atender às necessidades domésticas de combustíveis sintéticos e ureia, abrindo potencial de exportação. O relatório destaca o ferro briquetado a quente (HBI), oportunidade para que exportadores de minério de ferro possam desenvolver novas capacidades industriais e a cadeia de valor

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