e-revista Brasil Energia 489

142 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Continuação Edmar de Almeida vai ter que focar na reinjeção econômica. Uma das avaliações a serem feitas é se realmente a reinjeção contribui para aumentar o fator de recuperação de petróleo. Neste ponto, é importante entender a estratégia de reinjeção alternada de água e gás (Water Alternating Gas – WAG) desenvolvida pela Petrobras e parceiros para os campos do pré-sal. Trata-se de uma inovação proposta pela Petrobras, com a qual reinjeta-se água em um poço injetor até o ponto em que começa a aumentar a fração de água nos poços produtores adjacentes. Em seguida, injeta-se o gás, que tem o papel de bloquear a circulação de água, até o ponto em que ocorre um aumento da relação gás-óleo, quando se volta à reinjeção de água. Apesar do ineditismo desta tecnologia, não existem mais dúvidas de que está funcionando bem e tem contribuído para aumentar a taxa de recuperação de petróleo. Um dos pontos ainda pouco explorados em debates em relação à tecnologia WAG é o seu efeito sobre a recuperação do gás natural numa fase avançada de maturidade dos campos. A experiência de outros países, com a exploração de campos gigantes de gás associado, é que é possível produzir parte do gás reinjetado no fim do ciclo de vida do campo. Ou seja, existe a oportunidade de rever a estratégia de produção e “converter” o campo para produzir mais gás. No caso do Brasil, será necessário avaliar o efeito do WAG no aproveitamento de parte do gás reinjetado. Utilização de plataformas vocacionadas ao petróleo O plano de desenvolvimento do campo de Bacalhau, operado pela Equinor, inaugurou uma nova estratégia de monetização de campos com gás associado no Brasil. Este plano propôs a utilização de plataformas com maior capacidade de produção e armazenamento de petróleo (220 mil barris) e reinjeção de todo o gás. Ressalte-se que, no caso de Bacalhau, o gás natural não tem contaminação por CO2. Portanto, a principal razão para reinjeção do gás não é a economia com investimento em processos de separação do CO2. A principal vantagem foi aumentar a capacidade de produção e armazenamento de petróleo, com a construção de uma plataforma orientada para produção de óleo. Ressalte-se que, no início do desenvolvimento dos campos do pré-sal, a Petrobras adotou seis plataformas replicantes que tinham uma capacidade de produção de 150 mil barris de óleo e cerca de 6 MMm3/dia de gás. Em seguida, atualizou o projeto das plataformas para 180 mil barris, mantendo a produção do gás em 6 MMm3/dia de gás. Mais recentemente, a Petrobras adotou a mesma estratégia da Equinor no campo de Búzios, com a contratação de quatro plataformas (Búzios 7, 9, 10 e 11) com capacidade de produção de 225 mil barris de petróleo, com a reinjeção de todo o gás. Ressalte-se que, no caso das plataformas de 225 mil barris/dia a maior capacidade de produção de óleo se deve ao fato de não incluir equipamentos necessários à produção de gás. Em particular, em Búzios existe a necessidade de separar CO2. Assim, entre os benefícios da reinjeção do gás está o maior volume de óleo produzido. Vale ressaltar que o petróleo adicional agrega mais valor ao projeto que a receita do gás. Por exemplo, é possível comparar facilmente a receita anual de plataformas de 180 mil barris e 6 MMm3/ dia gás disponível, com plataformas de 225 mil barris/dia de petróleo sem gás disponível. ----- * Eloi Fernandez y Fernandez é diretor geral do Instituto de Energia da Puc-RJ (Iepuc) e Felipe Freitas da Rocha é pesquisador na mesma instituição. n Leia o artigo na íntegra em brasilenergia.com.br/petroleoegas/desafios-e-oportunidades-na-reducao-da-reinjecao-de-gas-no-pre-sal

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