e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 143 José Almeida dos Santos, geólogo, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. José Almeida dos Santos Coautores: Normando Lins e Gerson Menezes O petróleo ainda é uma das mais importantes fontes de energia para o mundo e tudo indica que continuará sendo assim por mais algumas décadas. A maioria dos campos de petróleo descobertos já passa pelo regime de declínio de produção. Isto é, como sempre foi, a praxe. A mudança que vem se acentuando ultimamente são as novas descobertas que, além de menos frequentes, possuem dificuldades maiores para produção. Nesse contexto, as fontes de energia renováveis avançam rapidamente, mas seus custos de produção e sua intermitência justificam ainda a busca pelo petróleo disponível, quer seja ele já descoberto ou a descobrir. Sendo assim, quanto ao petróleo já descoberto, há um grande empenho em aumentar o Fator de Recuperação (FC) dos reservatórios. Estudos do Departamento de Energia dos Estados Unidos indicam que 67% do óleo in place continua intocável nos reservatórios do mundo todo. A indústria de petróleo, desde seu nascimento, passou por algumas etapas que mereceram atenção das empresas e dos especialistas. Uma delas foi saber onde perfurar para encontrar petróleo de forma comercial. Vários métodos e tecnologias foram utilizados. No entanto, ainda não existe nenhum método que indique, com absoluta certeza, a presença de petróleo comercial numa perfuração pioneira. Ainda também não foi desenvolvido qualquer método capaz de recuperar 100% do petróleo in place em um dado reservatório. Já com o gás, o fator de recuperação é mais elevado, em torno de 70%. Por isso, há uma busca constante para o chamado EOR (Enhanced Oil Recovery), por se tratar de um óleo já descoberto e, na maioria dos casos, com toda infraestrutura de produção já implantada. Entre as várias tecnologias estudadas e utilizadas para aumentar o Fator de Recuperação pode-se citar o aumento do número de poços, ampliando a área de drenagem, a injeção de água fria e/ou quente, ou outros líquidos, injeção de ácidos e químicos em geral, injeção de espumas e, mais recentemente, injeção de nano partículas em reservatórios convencionais e não convencionais. Há registros confiáveis de que o mundo hoje tem reservas recuperáveis de petróleo em torno de 1,6 trilhões de barris. Como isso representa, em média, 30% do volume total do reservatório, isso significa que o volume total de óleo “in place” corresponde a 5,3 trilhões de barris. Aumentando-se o Fator de Recuperação para um percentual em torno de 50%, ter- -se-á uma reserva de 2,65 trilhões de barris, ou 1,0 trilhão de barris de reservas adicionais, suficientes para uma sobrevida de 30 anos, considerando-se os níveis atuais de consumo. Tomando o caso do Brasil, teríamos nos campos maduros um potencial elevado de petróleo já descoberto e com toda a infraestrutura já implantada para a produção dessas reservas. Como aumentar de forma econômica o fator de recuperação dos reservatórios Pesquisas sobre a aplicação da nanotecnologia na indústria do petróleo têm evoluído bastante nos últimos anos entre várias empresas e centros de tecnologia. O fato do mundo ainda depender de um petróleo cujas reservas se esgotam a cada dia favorece a alternativa da maximização da recuperação dos volumes descobertos. As nano partículas podem ser utilizadas desde o upstream, em fluidos de perfuração para o aumento do fator de recuperação, até o downstream, no refino. Todo o foco, no momento, concentra-se no aumento do fator de recuperação, por conta da quantidade de óleo já descoberto, que poderá ser produzido talvez até a um custo menor que o óleo novo. Aumento do fator de recuperação de campos maduros

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