e-revista Brasil Energia 489

150 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 NOVOS MODELOS E TECNOLOGIAS EM ENERGIA das, como condomínios, com o transformador sendo colocado em nível de solo e as linhas de energia chegando até as residências. Segundo o especialista, em alguns países há a ativação de transformadores de pequeno porte próximo às residências. Lembrando que os ativos de rede serão repassados para gestão da distribuidora, que precisa participar de todo o processo. No custo das redes enterradas pesa ainda o tipo de equipamento. Embora a tecnologia de transformadores tenha mudado pouco, o uso de cabos que apresentam maior isolação beneficia a infraestrutura subterrânea, onde a temperatura de exposição é maior. No caso de detecção de falhas, as tecnologias avançaram, inclusive com uso de fibra óptica para monitorar temperatura e antecipar falhas. Rede reticulada A maior sofisticação em redes subterrâneas no Brasil é um sistema bastante adotado nos Estados Unidos, a configuração reticulada, com a média de três transformadores saindo de um circuito primário, cada um deles operando com 66% de capacidade. Caso um seja desativado, os outros dois assumem a metade da capacidade do equipamento desativado e passam a operar com 99% de capacidade. “É o sistema implantado no centro velho de São Paulo e no Palácio do Planalto”, explica Gonçalves. “O modelo é caro, porque são instalados equipamentos sofisticados para operar com dois terços da capacidade”, completa. Embora seja cara, a arquitetura reticulada é destaque no Brasil, que teria duas das maiores redes desse tipo no mundo – Rio e São Paulo. Na Europa, de acordo com o especialista da Meggers, a infraestrutura subterrânea acontece em sua maior parte com cabos enterrados. Além da ociosidade nos cabos e nos transformadores, o modelo reticulado exige a ativação de um dispositivo de segurança chamado de network protector (NWP), de custo igualmente elevado. E por falar em segurança, as instalações subterrâneas estão preparadas para ficarem submersas, com a colocação dos equipamentos em caixas estanques. A vida útil será afetada, mas a infraestrutura pode ser reativada. Na retomada de uma rede, o padrão é a realização de testes e a troca de componentes afetados, como disjuntores. A situação é diferente se a subestação é inundada, como foi o caso de Porto Alegre nos eventos desse ano. “Quando a água sobe 2 a 3 metros do solo, isso significa que painéis de controle estão sendo atingidos”, lembra o especialista. Os eventos no Rio Grande do Sul, inclusive, levaram a Aneel a retirar o lote com ativos no estado que seria leiloado no segundo certame de transmissão de 2024. Sobre o uso das redes subterrâneas no combate aos eventos climáticos extremos, Gonçalves recorda que a principal causa da interrupção no fornecimento de energia nesses casos é a queda de árvores. “É o maior problema a ser atacado”, finaliza.

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