44 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 HIDRELÉTRICAS, ÁGUA E SUSTENTABILIDADE armazenar uma grande quantidade de água com a construção de uma barragem relativamente pequena e barata”, dizem os autores. Haveria ainda poucas restrições ambientais, uma vez que inexistem no local parques ou áreas de conservação. Com a construção da UHR Butiá, Passo Real poderia manter um volume de armazenamento de apenas 25% da sua capacidade, ficando com uma folga de 2,5 milhões de m3 para o caso de inundações e deixando para a UHR a tarefa de armazenar água para geração hidrelétrica e prevenção contra secas, tarefas hoje da barragem convencional. Encantado A outra obra estrutural descrita no artigo e considerada por Hunt como mais importante ao lado da UHR Butiá é a barragem convencional de Encantado, no rio Taquari/Antas. Ela teria capacidade para armazenar 5,43 milhões de m3, ocupando área de 113 km2. O local escolhido é um desfiladeiro íngreme em torno do rio das Antas, o que evita a necessidade de deslocar pessoas ou mesmo atividades econômicas. Encantado poderá ter uma barragem de 200m de altura por 720m de comprimento e sua capacidade de armazenamento corresponderia a 56% do fluxo médio anual do rio, de modo que poderia usar 1,43 milhão de m3 da capacidade para geração de energia e alívio de secas, deixando 4 milhões de m3 de espaço reservados para o controle de enchentes. E caso fosse necessário aumentar o volume do reservatório, com mais 25 metros de altura, Encantado ganharia 4,2 milhões de m3 adicionais de capacidade. O efeito colateral é que, para a construção da barragem, seria necessário acabar com as UHEs a fio d’água de Monte Claro, Castro Alves e 14 de Julho. As três juntas têm capacidade instalada de 360 MW. Outros dois projetos adicionais, que Hunt considera substituíveis, são duas UHR com a dupla finalidade de geração de energia e controle de cheias. A primeira usaria a conexão terrestre mais curta entre o Guaíba e a Lagoa dos Patos, com um canal de 2 km e 3 km de túneis, além de uma barragem circular de 20m de altura e 4,71 km de comprimento. Armazenaria energia solar durante o dia para gerar à noite com duas turbinas conectadas a um gerador. Numa inundação, essas máquinas poderiam bombear até quatro vezes mais água do Guaíba para a Lagoa dos Patos, aumentando a velocidade de escoamento. A outra UHR, na conexão da Lagoa dos Patos com o Atlântico, exigiria um canal de 9 km e 8 km de túneis. A barragem circular teria também 20 metros de altura e 9,42 km de comprimento. De acordo com os cálculos apresentados no artigo, a UHR Butiá custaria aproximadamente US$ 580 milhões, a UHE Encantado, US$ 820 milhões, a UHR do Guaíba, US$ 400 milhões e a UHR Patos/Atlântico, cerca de US$ 900 milhões. Retirando as duas últimas, os custos cairiam para US$ 1,4 bilhão. n
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