Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 69 O segmento também considera que o custo envolvido na imposição dessa forma de descarbonização, em detrimento de outras mais eficientes em estudo ou implementadas pelos produtores de petróleo e gás, aumentará a incerteza em relação a investimentos no setor e aos custos da oferta de gás natural. CCS A Lei do Combustível do Futuro é considerada um primeiro passo importante para que a captura e armazenamento de CO2 (CCS, em inglês) ganhe corpo no Brasil, por apresentar grande potencial para a atividade. O segmento de CCS tem a expectativa de movimentar entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões anuais. Está incluso nesse cálculo uma participação significativa do setor de etanol. A Petrobras tem especial interesse nessa atividade. A estatal capturou, em 2023, 25% do CO2 emitidos por todas as empresas petrolíferas do mundo e afirma dispor de capacidade para armazenar 250 milhões de toneladas de CO2 por ano em aquíferos salinos por 50 anos. A empresa destaca como diferenciais em uma futura disputa por espaços nesse mercado a expertise acumulada em sua trajetória na exploração de petróleo e gás. A Petrobras já vem realizando sondagens junto a segmentos como a siderurgia para a prospecção de futuros clientes. A estatal já desenvolve um projeto- -piloto de captura e armazenamento de carbono (CCS) em aquíferos salinos em Macaé, no norte do estado do Rio de Janeiro, aproveitando a infraestrutura do Terminal de Cabiúnas (Tecab). O empreendimento deverá contar com capacidade de armazenamento de 100 mil toneladas de CO2 por ano. Estudos realizados pela EPE mostraram que há ainda potencial para a captura do carbono biogênico associado à produção de biocombustíveis, conhecido como BECCS. A captura do CO2 gerado na produção de combustíveis amplia a efetividade desse mecanismo, resultando em emissões negativas em áreas de produção de etanol, por exemplo. Com a aprovação da lei e a regulamentação da atividade de captura e armazenamento de carbono no solo, a expectativa é que as usinas de etanol possam produzir um biocombustível que terá pegada negativa de carbono – um feito que poderá reduzir as barreiras na Europa para a utilização do etanol brasileiro. A FS, produtora de etanol de milho, é a empresa mais adiantada nessa frente. A empresa está investindo R$ 350 milhões em um sistema para capturar o CO2 emitido pela sua fábrica de Lucas do Rio Verde (MT) e transportá-lo até um “armazém” subterrâneo na Bacia dos Parecis. Apesar de já existirem mobilizações com vistas ao aproveitamento de oportunidades proporcionadas nessa frente pela Lei do Combustível do Futuro, especialistas e representantes deste segmento consideram que ainda há muito a ser definido em relação à regulamentação da atividade. Há uma grande expectativa dos agentes interessados em relação à precificação de carbono, medida considerada fundamental para viabilizar economicamente projetos de CCS.
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