e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 87 Paula Kovarsky, engenheira mecânica e de produção, com MBA em finanças corporativas, tem mais de 20 anos de experiência no setor de energia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Paula Kovarsky Concluímos os trabalhos da força tarefa de Transição Energética e Clima do B20, construindo recomendações objetivas, apesar da diversidade de empresas e países envolvidos nas discussões. Foco em eficiência energética, aumento do uso de renováveis, incluindo bioenergia, e incentivo a soluções baseadas na natureza, com urgência e foco. Foi promulgado o PL do Combustível do Futuro, criando mecanismos para aumentar o uso de etanol, biodiesel e biogás no Brasil e criando as bases para o desenvolvimento de outros biocombustíveis no país, como o SAF. O governo brasileiro publicou, semana passada, a revisão da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, em inglês) alinhada ao Acordo de Paris, se comprometendo a cortar entre 59% e 67% as emissões dos gases de efeito estufa em relação às emissões do ano de 2005 até 2035, mantendo também o compromisso de ser Net Zero em 2050. Por fim, o PL de regulação do mercado de carbono passou no Senado. Podemos discutir alguns jabutis incluídos no PL ou lacunas em relação ao mercado regulado, ou questionar a banda de redução de emissões da NDC ao invés de um número objetivo. Mas a verdade é que tanto a NDC quanto o PL, que em tese não teria razão para não ser aprovado na Câmara agora, são instrumentos essenciais para manter o Brasil no jogo dos investimentos verdes. Uma série de avanços importantes, sem sombra de dúvida, que abrem caminho para a descarbonização eficiente no Brasil, com a existência de um mercado de carbono regulado e, principalmente, que converse com iniciativas internacionais, incentivo a novas tecnologias, reforço da importância de redução de desmatamento e incentivo ao reflorestamento. Mas nenhum deles resolve o ponto mais crítico e essencial, o tema central da agenda de descarbonização: como financiar, de forma eficiente, inteligente e justa, a descarbonização global. Como me ensinou Sonia Consiglio, ESG nasceu faltando um E, de economics e devia chamar EESG. Ou nas sábias palavras da ex-ministra Isabela Teixeira, “de todos os tons de verde, o que interessa é o dólar para pagar as contas”. Há um tempo, inventei um termo - GREEN2, para definir foco em produtos mais verdes que pudessem comandar prêmios cada vez maiores, em dólar (ou, de forma mais abrangente, em moeda forte). Por trás disso sempre esteve a clareza de que o Brasil, ainda que extremamente bem servido de alternativas viáveis de energia renovável e dono da maior floresta tropical do mundo, jamais teria condições de pagar por esses produtos em meio a tantos outros desafios socioeconômicos. Outros países, especialmente os mais ricos e, talvez por ironia, com muito menos alternati- $ustentabilidade se escreve com $ e carbono deveria ser moeda

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