e-revista Brasil Energia 491

10 Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 entrevista Clécio Luís Vilhena Vieira dos povos indígenas do Oiapoque, na preservação do meio ambiente. O Amapá vai conseguir fazer a melhor governança dos recursos oriundos do petróleo. Existem muitas contas de arrecadação. Tem quem fale em R$ 3,5 bilhões por mês, podendo chegar a R$ 10 bilhões. O PIB anual do Amapá é de R$ 23 bilhões. Isso muda tudo. E esperamos que seja para melhor, porque a mesma enxurrada de recursos pode servir para alimentar o crime organizado. Não queremos isso. A formação de mão de obra também nos preocupa, porque hoje não temos esse pessoal. Os primeiros profissionais vêm de fora, naturalmente. Mas vamos levantar quais profissionais precisamos formar para disputar esse mercado. Há um projeto de atração da cadeia produtiva? Estamos produzindo um Plano de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF). Vamos detectar quais empresas locais podem se preparar para este novo mercado, porque vai ter necessidade até do mais elementar, como o fornecimento de comida. Alguns empresários amapaenses podem se preparar para isso. Mas, talvez, vamos ter que trazer fornecedores de fora. Vai ser interessante ter um CNPJ novo aqui de uma empresa que já está em outro estado, para gerar emprego. Quais melhorias de infraestrutura precisam ser feitas no estado, que poderiam ser viabilizadas pelos royalties? Não é tão fácil hierarquizar isso. Não tenho dúvida de que saneamento básico seria um dos primeiros. Mas nós acabamos de fazer uma concessão do que a gente compreende como saneamento básico, que envolve resíduos sólidos e drenagem. O esgotamento sanitário e a água estão melhorando bastante, porque houve uma concessão. Se houver uma necessidade de reforço, o saneamento, certamente, será uma das prioridades. Mas, em paralelo, vou insistir em usar os recursos dos royalties para gerar atividade econômica, que vai sustentar o Amapá depois do petróleo. Parece muito tempo, 30, 40, 50 anos (de duração das reservas). Não é. A gente tem que se preparar agora, com muita pesquisa aplicada, especialmente para gerar novos produtos e negócios. Além disso, precisamos de estradas, porque vivemos na Floresta Amazônica. Mobilidade para a gente é um problema. Nos locomovemos muito por rios. Precisamos ter modelos mais eficientes, inclusive energeticamente. Tem lugares onde só se chega de avião, como em aldeias indígenas. Precisamos de estradas rodoviárias, estradas de ferro, soluções inteligentes de navegação. O Amapá passou por uma grande dificuldade com um apagão, em 2020. O que evoluiu desde então, inclusive na universalização do atendimento? Mudou muita coisa. O apagão foi uma tragédia. Imagina o comerciante que perdeu tudo que investiu. O pobre que tinha acabado de comprar comida para a sua família e, sem energia, ficou tudo estragado na geladeira. Ficamos sem comunicação. Nunca mais iremos esquecer. Eu era prefeito (de Macapá) na época, estava no último ano de gestão, pronto para entregar o bastão. Tudo estava perfeito até acontecer esse apagão. O Davi Alcolumbre foi decisivo. Ele era presidente do Senado e moveu céu e terra. Os

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