Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 11 transformadores que incendiaram foram fabricados há muito tempo na Índia. Não era possível encontrá-los na prateleira e não tinha peça de reposição. Então, foi uma força tarefa para ir atrás dos senhores do Sistema Eletrobrás e descobrir soluções. Foi feita uma megaoperação para trazer geradores da Colômbia e de outros estados. Tudo foi realizado nos 22 dias de apagão. Ficou algum dever de casa para ser feito? Em paralelo às medidas emergenciais, os senadores Davi (União Brasil/AP) e Jean Paul Prates (PT/RN) colocaram, naquele momento, os recursos para fazer a pesquisa, no Senai do Rio Grande do Norte, que hoje está dando origem aos atlas solar, eólica e de biomassa. Foram criadas novas perspectivas de diversificação energética. Também houve a concessão do serviço de distribuição de eletricidade. Houve uma modificação radical do tipo de fornecimento de energia. Tínhamos energia boa por causa do Linhão de Tucuruí. Mas não tínhamos uma boa distribuição. Hoje, podemos dizer que qualquer empresa que queira se instalar no Amapá tem condições energéticas para isso. Além disso, vamos ter uma nova turbina na hidrelétrica de Coaracy Nunes que vai triplicar a geração de energia. Não será necessário ampliar o reservatório. Então, mudou muita coisa depois do apagão. O Amapá também sofre com o alto preço da energia elétrica. Esse é um grave problema. A distribuidora estatal Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) quebrou totalmente, ao ponto de ser desabilitada, de perder a concessão. Não era possível colocar uma batedeira nova de açaí, porque não tinha energia suficiente. Uma das penalidades impostas à distribuidora foi proibir reajustes por dez anos. Ou seja, ela foi empurrada para o buraco mais ainda. Também havia uma taxa de inadimplência absurda, que beirava a 30%. Então, quando você coloca uma empresa nova (Equatorial Energia), um ente privado para refazer todas as subestações, o posteamento, trocar fiação, reformar todos os rebaixadores, colocar novos alimentadores… isso vai para a conta. Nós fomos penalizados de novo, porque passamos a sofrer reajustes que o Brasil não sofreu. E, pela nossa conta, há penduricalhos que não são nossos. São inegáveis os investimentos e a melhoria do fornecimento da energia, mas temos um problema. Temos dificuldade de pagar energia. Uma família tem que chegar no fim do mês e escolher pagar a conta de luz ou comprar comida. Isso está errado. No ano passado, conseguimos barrar o reajuste, numa negociação muito intensa. Seria um reajuste de 44%, impagável para os amapaenses. A tarifa de energia elevada é um impeditivo para atrair a cadeia fornecedora para a exploração e produção de petróleo para o estado? A energia hoje é um fator de atração de investimento, porque estamos interligados ao Sistema Nacional e temos as nossas hidrelétricas que produzem a mais. Nós exportamos energia. Do ponto de vista tarifário, temos um problema que enfrentamos e estamos resolvendo. O fato de não ter quase dois anos de reajuste, enquanto o Brasil inteiro teve, nos favorece. Se conseguirmos encontrar outras
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