e-revista Brasil Energia 491

12 Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 entrevista Clécio Luís Vilhena Vieira fontes legais para não ter esse mesmo nível de reajuste ou para diluí-lo num perfil mais alongado, vamos ter uma tarifa mediana ou uma das mais baixas do Brasil. Essa solução resolve? Tem questões que precisam ser resolvidas em nível nacional. A conta de energia do brasileiro está numa escalada. É necessário fazer algo para que não vire um impeditivo para a vida das pessoas. Participei de uma conversa com o ministro de Minas e Energia (Alexandre Silveira), com o Davi (Alcolumbre) e com o presidente Lula em que essa preocupação era muito grande. A ideia é encontrar alternativas para baratear a energia na ponta sem destruir o que tem no mercado e sem romper contratos. Outro ponto é que, quando um grande cliente sai do sistema e parte para o mercado livre, ele deixa o custo da rede para quem ficou. Isso não é justo. Vai ser necessário um pacto envolvendo os empresários do setor e consumidores, uma engenharia política e econômica para que a gente gere mais energia a valores mais razoáveis. Energia não é item de luxo, para poucos. No atlas de geração solar lançado recentemente é identificado o potencial de produção do estado? Se usarmos 3% das faixas permitidas do território do estado para instalar usinas fotovoltaicas, teremos capacidade de produzir 54 GW (gigawatts). A hidrelétrica de Itaipu tem potência instalada de 14 GW. Se ampliarmos para 7%, são mais de 200 GW. Já o atlas de geração eólica vai apontar um grande potencial a partir do uso de torres um pouco mais altas, para pegar a ventilação mais acima (e vencer a resistência de árvores gigantescas). Mas não sei dizer o potencial eólico. O estado também tem um grande potencial de biomassa. Atividades que utilizam produtos da floresta podem também gerar energia. Os atlas serão disponibilizados gratuitamente para as universidades, pesquisadores e empreendedores. Fica a mensagem: aquele estado do Amapá, que já passou muito perrengue… vale à pena investir nele. Assim, as pessoas vão poder falar verdadeiramente em preservação da Amazônia e não somente da boca para fora. Hoje, falar de sustentabilidade na Amazônia, no Amapá, com essa realidade da pobreza é insustentável, não é verdadeiro. Qual a diferença entre a sua visão do Amapá e a do restante do Brasil e de outros países? O Amapá é um lugar incrível, complexo e maravilhoso. Quando a gente começa a entendê-lo melhor, se irrita (com algumas visões externas). Porque eu sei que a exploração não vai se dar na foz do rio Amazonas. Foz é um conceito técnico. Tem que ter uma boca de um rio que vai desaguar em outro rio ou no mar. Não está na foz (o bloco da Petrobras). Simples assim. Está na costa do Amapá, quase no final da placa continental e a 50 km da Guiana Francesa. Está muito longe. A maioria das matérias que se refere à exploração na Bacia da Foz do Amazonas traz a foto de um riozinho sinuoso, com uma comunidade tradicional. Não fala a verdade. Isso cria um pânico, um sentimento negativo e o mundo reage a isso. Nesse aspecto irrita. Mas, como professor, estou muito disposto a tratar e tirar lições disso.

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