100 Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 mobilidade de de São Paulo, que traz ainda dados de um piloto realizado durante um ano. O documento mostra também como funciona o modelo de subvenção parcial para adoção de frota eletrificada. Nesse processo, a prefeitura tomou empréstimos junto a bancos estatais e de desenvolvimento para transferi-los depois para as operadoras. Como os juros são menores, a iniciativa levou à uma economia estimada em R$ 4,8 bilhões num período de 12 anos. Na configuração atual, a manutenção fica a cargo das operadoras, que detêm a propriedade dos veículos e também respondem pelos custos de infraestrutura de carregamento, além da substituição e manutenção das baterias. A infraestrutura de energia, aliás, é um ponto importante, apesar de não ser um entrave. De acordo com o estudo do ICCT, feito em parceria com a C40, rede global que reúne quase 100 prefeitos em todo o mundo, a escolha do modelo de recarga impacta bastante na operação das frotas elétricas. A opção por recarga noturna tem o desafio da demanda de maior potência, o que leva a adaptações na rede elétrica e maiores custos. Gabriel Tenenbaum, diretor de Implementação da C40 para a América Latina, explica que essa alternativa pode ser viável em pequenas cidades, mas complexa para as maiores. “Um ônibus atualmente carrega em 80 kW. Se a frota for de 100 carregando à noite, vamos ter uma demanda considerável de média tensão, o que exige grande adaptação nas garagens”, resume. No modelo de recarga integrada, o carregamento acontece ao longo do dia, reduzindo picos de potência. O desafio maior é de planejamento para distribuir os carregadores entre garagens, terminais e eletroterminais, evitando atraso nos ônibus. Em campo, o teste em São Paulo mostrou que o tempo médio de recarga pode variar entre 3,6 e 3,8 horas. Isso significa que cada ônibus teria que ter entre 1,67 e 1,86 recargas por dia. Um aspecto importante é que 70% das recargas foram realizadas no período noturno, entre 20h e 4h, evitando o horário de pico, que acontece das 17h30 às 20h30, período que a energia na capital paulista é mais cara. O consumo de energia, por outro lado, variou de 1,19 kWh/km e 1,27 kWh/ km. Com isso, cada veículo teria demandado cerca de 224 kWh por dia. Esse valor considera o total que saiu da bateria menos a energia gerada pela frenagem regenerativa (recuperada quando o freio é acionado). Quem é fonte nesta matéria FRANCISCO SCROFFA, executivo da Enel na área de serviços nãoregulados MARCEL MARTIN, diretor geral no Brasil do ICCT GABRIEL TENENBAUM, diretor de Implementação da C40 para a América Latina
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