Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 101 Outro teste - realizado pela prefeitura de Belo Horizonte, durante três meses em 2024 - traz mais informações. O ensaio, inclusive, deve ajudar a pautar a licitação para aquisição de 100 ônibus elétricos, viabilizada pelo Plano de Aceleração de Crescimento (PAC). No total, a iniciativa do governo federal envolve mais de 2,5 mil ônibus elétricos. Rafael Resende, superintendente de Mobilidade da capital mineira, explica que a parceria com a Cemig foi fundamental para avaliar o impacto da frota eletrificada na rede, principalmente na definição dos 27 pontos de recarga. Realizado com quatro modelos de fabricantes diferentes, o ensaio de Belo Horizonte mostrou uma diferença de consumo médio considerável entre os modelos. O menor consumo foi de 1,22 kWh/km, bem abaixo dos 1,93 kWh/km do maior consumo. Para Resende, essa disparidade traz complexidade ao edital para compra dos modelos, ainda mais que a autonomia identificada também variou muito – até 57%. Alguns veículos rodaram 142,8 km sem recarga, enquanto o mais eficiente registrou 248,5 km. “Vamos começar com recarga de oportunidade para a entender o consumo e depois pensar em expandir para os corredores de BRT e estações de integração”, adianta Resende, já falando da futura adoção dos elétricos. Embora os elétricos não devam superar 4% da frota em Belo Horizonte, o teste mostrou que nem todas as operadoras têm estrutura adequada, o que traz os players de infraestrutura para o centro do processo, sejam distribuidoras ou não. A implantação dos eletropostos é ressaltada por Scroffa, da Enel, que lembra o papel das concessionárias no ecossistema de eletromobilidade. “Elas são cruciais para atender às necessidades de conexão e fornecimento de carga, inclusive para entender a necessidade real de carga nas garagens”, argumenta. A empresa italiana – com seu braço em serviços não-regulados – tem um piloto em São Paulo, que envolve 48 ônibus de três operadoras. Outra iniciativa é a ativação de um centro de recarga em shopping center da zona Sul da capital, com foco em motoristas de aplicativos e veículos usados em entregas urbanas expressas. A localização do centro – que funciona 24x7 – levou em conta a segurança e a capacidade de abastecimento para vários veículos ao mesmo tempo. “Para motoristas de aplicativo, rodar cerca de 300 km/dia em carro elétrico pode gerar uma economia mensal em torno de R$ 2 mil. É um valor que cobre a cota mensal de financiamento do veículo”, finaliza Scoffra. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
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