Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 87 Que tendências a conferência mostrou para o setor? Ficou confirmado que o mundo continuará dependendo do petróleo e que não haverá uma transição rápida para as energias renováveis. Isso será uma maratona para a indústria do petróleo, que deve continuar focada na redução das emissões de CO2. Foram discutidos muitos projetos de pesquisa e novas tecnologias para ajudar a indústria offshore. Neste momento, as renováveis – como eólica offshore, hidrogênio e outras – ainda estão em desenvolvimento técnico, e os custos permanecem muito altos. Assim, como o planeta ainda precisará “depender do petróleo” por mais tempo, o desafio para a indústria é desenvolver melhores métodos de descarbonização e reduzir as emissões de CO2. No pré-sal, a Petrobras conseguiu reinjetar 40 milhões de toneladas de CO2, o que é uma conquista significativa. Entre os avanços tecnológicos estão a eletrificação de plataformas, que reduz o consumo de energia em 15% — a demanda elétrica de uma plataforma é semelhante à de uma cidade de 200 mil habitantes; a separação do petróleo e do gás natural no fundo do mar, um avanço tecnológico importante; e a digitalização e uso de inteligência artificial para segurança e redução de CO2. Entretanto, há produtos que continuarão exigindo o uso de petróleo, como lubrificantes; petroquímicos (gás natural); ativos irrecuperáveis (stranded assets). O que o IBP acha do desafio colocado pela Petrobras para a cadeia produtiva sobre simplificação e redução de preços para sua carteira de encomendas? Esse não é um desafio apenas para a Petrobras, mas para toda a indústria. Todas as cadeias de suprimento da indústria de petróleo devem atuar dentro desse contexto para reduzir custos sempre que possível. Com os preços do petróleo atualmente na casa dos US$ 60, isso se torna ainda mais crítico. Mas a indústria precisa sempre estar preparada para as oscilações de preços, especialmente neste momento geopolítico complexo. O IBP está ajudando na costura de parcerias entre estaleiros estrangeiros e brasileiros? O IBP está trabalhando intensamente para aproximar estaleiros estrangeiros dos estaleiros brasileiros. Estaleiros estrangeiros podem colaborar com estaleiros brasileiros para produzir partes de FPSOs, por exemplo, o que também atende às exigências de conteúdo local dos contratos. O IBP está apoiando os estaleiros brasileiros nas conversas com grandes estaleiros da China, Singapura, Vietnã, Malásia e Dubai. O IBP realizou recentemente dois eventos no Brasil e dois nos EUA. Estaleiros brasileiros como o Brasfels, Jurong Aracruz, Ecovix, entre outros, podem trabalhar com estaleiros estrangeiros para atender às exigências de conteúdo local e abastecer de forma eficiente a indústria petrolífera brasileira. Quando fica pronto o estudo de reaproveitamento das plataformas que o IBP está fazendo com o Sinaval para a Petrobras? A análise sobre a viabilidade do reuso efetivo das plataformas está em andamento, e a meta é que ela seja concluída em 2025. No entanto, neste momento, ainda não é possível definir uma data exata, pois a análise segue em curso.
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