Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 115 da cana, criando uma alternativa de renda para a cooperativa e seus associados. A saca do sorgo custa entre 15% e 20% a menos que a do milho e, além disso, não há diferenças no processo de extração do sorgo em relação ao adotado pelo milho, o que facilitou a substituição. Atualmente, a cooperativa está adquirindo sorgo produzido em lavouras do Piauí e na região de Barreiras (BA) para suprir a usina. A cooperativa, contudo, está estimulando o plantio do sorgo entre os produtores cooperados e também no vizinho Estado de Sergipe. “O sorgo é uma planta mais rústica. É menos exigente em relação à água, além de ser mais resistente a pragas. Por isso, essa cultura se dá melhor em regiões de semiárido que o milho, que é mais dengoso”, comparou. Outra vantagem é o fato de a linha de moagem do sorgo funcionar paralelamente à da cana-de-açúcar. Graças a investimentos realizados nos últimos anos, a cooperativa conta agora com uma usina ‘flex’. Segundo Santos, as duas linhas podem usar, em paralelo, a mesma infraestrutura de produção, que compreende geração de vapor e de energia, manutenção, água e laboratório. Neste primeiro ano da moagem do sorgo, parte da produção se deu paralelamente à produção de etanol da cana, que ocorreu entre os meses de agosto do ano passado e fevereiro deste ano. “Com as duas estruturas de moagem, é possível manter a usina em operação o tempo todo. Nesse ano, vamos parar a usina somente para a manutenção”, disse Santos. Outro benefício é o fato de a moagem do sorgo produzir um resíduo que pode ser utilizado para alimentação do gado. Trata-se do WDG, resíduo que tem em sua composição cerca de 36% de proteína. A previsão é de que, neste ano, sejam geradas 35 mil toneladas de WDG, já ofertadas para vários estados do Nordeste. Além do elevado teor de proteínas, o WDG custa quase a metade do valor pago pelo farelo de trigo, por exemplo, o que tem chamado a atenção de pecuaristas do Nordeste. A cooperativa desenvolveu um sistema de confinamento coletivo, batizado de “Boitel”, que conta com mais de 2 mil animais. Nesse sistema, o criador deixa os animais aos cuidados da cooperativa, que o alimenta e realiza os tratos necessários, mediante o pagamento de um valor por esses serviços. n (N.R. Consultada, a Inpasa preferiu não se pronunciar) Quem é fonte nesta matéria FLAVIO TARDIN, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo KLÉCIO SANTOS, presidente da cooperativa Pindorama Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Ações em Transição Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
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