e-revista Brasil Energia 495

116 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 Paula Kovarsky é engenheira mecânica e de produção, com MBA em finanças corporativas. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Paula Kovarsky chamados “hard to abate sectors” (setores onde é mais difícil e caro reduzir emissões). Dois bons exemplos: aviação, regulado pelo Corsia (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation, desenvolvido pela Icao – International Civil Aviation Organization), que estabelece um sistema global para reduzir e compensar as emissões de CO2 da aviação internacional a partir de 2021, e navegação, regulado pelo IMO (International Marine Association), mais focado na redução de emissões diretas através de eficiência, mudanças tecnológicas e uso de combustíveis sustentáveis. Transporte aéreo e marítimo são dois setores globais por natureza, portanto precisam de soluções globais. Se alguém acha que a discussão e o reconhecimento das vantagens competitivas específicas de cada projeto de captura de carbono ou matéria prima envolvida na produção dos biocombustíveis são muito mais objetivos nesse caso, promovendo o reconhecimento financeiro correto para os atributos sustentáveis, ledo engano. Historicamente, a Europa tentou separar a discussão entre combustíveis de primeira ou segunda geração, para qualquer tipo de mistura, de etanol na gasolina por exemplo. De maneira simplificada, primeira geração são os energy crops, ou os biocombustíveis produzidos diretamente a partir de plantas (etanol de cana ou de milho, diesel de óleos vegetais), dividindo uso da terra com a produção de alimentos. A urgência da descarbonização e suas incoerências “O homem é uma espécie insana. Adora um Deus invisível e destrói uma Natureza visível. Sem perceber que a Natureza que ele destrói é o Deus que ele adora”. Escutei outro dia essa frase de Hubert Reeves, astrofísico franco- -canadense defensor do meio ambiente, na voz do Paul Polman, que dispensa apresentações. Guardei nos meus notes como introdução perfeita para um novo artigo, dando sequência ao meu projeto pessoal de ajudar a destravar o mercado de créditos de carbono. Ainda que a questão das mudanças climáticas seja fundamentalmente global, já que não adianta um país descarbonizar sozinho se outros não fizerem sua parte, os interesses individuais de cada um seguem atrapalhando a evolução de um mercado global de créditos de carbono, a forma mais eficiente e barata de promover descarbonização. Os sinais da urgência estão claros, escancarados nos fenômenos climáticos visíveis nas nossas vidas quase todos os dias. E mesmo assim cada um segue firme e focado em defender seus próprios interesses. Para minha grata surpresa, o meu “Teorema das invejas positivas”, tema de um artigo anterior - onde China e Brasil assinariam um acordo relevante de compra e venda de créditos de carbono e atrairiam outros países para a iniciativa - ganhou tração no contexto das discussões que precedem a COP 30 no final desse ano. Premissa simples: uma negociação bilateral seria bem mais fácil do que envolver quase duas centenas de países, especialmente na atual conjuntura política mundial. Daí a resolver o desafio de harmonização das métricas e regulações são outros quinhentos, remunerando de forma justa cada contribuição e garantindo o fluxo financeiro necessário. Mas seguimos trabalhando. Enquanto isso, avançam as discussões sobre biocombustíveis, especialmente para os Continue lendo esse artigo em: brasilenergia.com.br/energia/a-urgencia-dadescarbonizacao-e-suas-incoerencias

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