e-revista Brasil Energia 495

12 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 entrevista Magda Chambriard E é isso que estamos fazendo. Estamos fazendo nossa história de novas fronteiras, no Brasil e no exterior, em parceria. Neste cenário de instabilidade, o plano de investimento do próximo quinquênio pode vir menor ou o ritmo de crescimento desacelerar? Nós vamos ter que mirar nos investimentos mais rentáveis possíveis. Alguns foram planejados num nível de preço de petróleo que não vai mais se realizar. Esses, no mínimo, podem ser um pouco postergados. Agora, investimentos de exploração e produção elegíveis a um barril a US$ 45, se postergados, têm o valor destruído. A maioria dos nossos projetos não está nesse patamar. Mas o orçamento de 2025 a 2030 vai ser menor? A gente ainda está trabalhando nisso. Esperamos que não. Os projetos de transição energética estão em risco? A gente tinha projetos de solar, eólica e hidrogênio. A gente tinha muita eólica offshore (no portfólio). Eólica offshore é mais difícil. Os projetos são até três vezes mais caros do que o de uma eólica onshore. Estamos acreditando que vamos ter que investir muito em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a efetividade dos projetos. Inclusive, de etanol de segunda geração, diesel sintético, gasolina sintética… tudo isso ainda vai exigir muito dinheiro de pesquisa e desenvolvimento. As pesquisas das tecnologias da transição energética vão se estender por mais tempo do que se previa? Do que se previa não, do que o mundo está efetivamente realizando. Para chegar a 2050 com 8% de contribuição, no nosso portfólio, de geração de energia por fonte totalmente renovável, solar e eólica, sem pesquisa e desenvolvimento, o valor a investir é quase dez vezes maior (comparado às fontes fósseis). Se a gente fizer isso com etanol, biodiesel, óleo vegetal coprocessado, solar, eólica e hidrogênio, é mais ou menos quatro vezes maior, o que tem que ser reduzido para, pelo menos, dois. E a gente só vai fazer isso com pesquisa e desenvolvimento. Qualquer inserção tecnológica precisa ser efetiva. E ela só é efetiva quando o projeto está sólido e quando foi investido o suficiente. “A gente tinha muita eólica offshore no portfolio..projetos até três vezes mais caros do que o de uma eólica onshore.”

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