e-revista Brasil Energia 496

Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 55 Adicionalmente, o histórico da empresa também pesa contra. A Amazonas Energia ficou muito tempo sob a gestão da então estatal Eletrobrás, sem investimentos necessários. Outro problema é o aspecto climatológico, com um ambiente muito úmido e quente, o que leva ao alto consumo de ar-condicionado. Esse mesmo desafio atinge o Rio de Janeiro, na área de cobertura da Light, com locais urbanisticamente densos e sem ventilação. O clima muito úmido e de alta temperatura vem sendo agravado pelo aquecimento global e tornando-se quase uma "bomba de furto de energia". Um dos resultados é a perda real da distribuidora, que chega a 71%, enquanto a perda regulatória é de 39%. O fator que mais pesa nessa equação, no entanto, é o domínio territorial do crime. “A situação é diferenciada e sem comparação direta nos países que estudamos. Não vimos nada igual a esse domínio territorial ostensivo por poderes paralelos em um ambiente urbano, que chega a se infiltrar nos serviços públicos”, resume Ângela. De acordo com ela, mesmo em Barranquilla, na Colômbia, que tem uma região socialmente complexa e perdas elevadas, não existe uma situação de domínio territorial que existe no Rio. “Não há uma "bala de prata" e é necessária uma conjunção de esforços. A distribuidora de energia elétrica deve estar no centro, coordenando, mas buscando apoio de entes públicos, incluindo a segurança pública, a parte social e a parte tarifária”, explica. Segundo a especialista, a MP 1300/25, editada pelo executivo federal para reforma do setor elétrico, está mudando a tarifa social e pode ajudar no processo. Uma das possibilidades é que as emendas à MP, que devem ser feitas no legislativo, flexibilizem os limites da MP regiões críticas onde as perdas são bem acima da média e onde o consumo também é alto. “Algo como uma tarifa social específica das concessionárias nessas regiões, que seria internalizada na estrutura tarifária”, argumenta. Outra iniciativa é o uso da inteligência de dados na segurança. Para ela, não faltam dados que indicam, por exemplo, a cobrança de energia roubada em áreas como Rio das Pedras. O lucro com a exploração de territórios é maior pela cobrança ilegal de energia e fornecimento de gás do que com o tráfico de drogas, conforme aponta seminário organizado pela Light. “É fundamental que haja ações coordenadas e uso de inteligência. Infelizmente, no Rio, os dados de segurança pública não são utilizados, muitas vezes sob a alegação de serem estratégicos, o que impede qualquer ação baseada em evidências”, argumenta Ângela. “A esperança é que iniciativas coordenadas e o uso de inteligência tornem-se mais frequentes no Brasil”, finaliza. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

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