Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 75 Detalhe: uma ordem de ação do centro sul-africano para as equipes locais leva, no máximo, entre 5 e 10 minutos. Apesar do monitoramento estar centralizado na África do Sul, as operações regionais têm autonomia para atuar, focando na resolução de problemas imediatos. Já o centro sul-africano faz um “ajuste fino” e compila informações de diversas usinas ao redor do mundo. O uso combinado de drones amplia a possibilidade de monitoramento, segundo Barichello. Ele dá como exemplo a adoção de equipamentos com câmeras térmicas de alta definição para identificar microfissuras ou pontos quentes nos módulos, indicando contaminantes que não seriam visíveis a olho nu, inclusive cocô de passarinho. Além da operação em si, o uso de IoT favorece a aplicação do conceito de manutenção preditiva, ou seja, a antecipação e correção de falhas. Nesse caso, entra em cena uma segunda camada da cultura orientada a dados, que é a análise de um grande volume de informação. No caso da Scatec, isso é feito por especialistas baseados em Oslo, na Noruega. A partir da análise de anomalias globais identificadas nos dados coletados nas usinas do grupo, os técnicos noruegueses podem indicar soluções especificas. Entre as iniciativas dos especialistas de Oslo, Barichello lista a orientação para intensificar o controle da vegetação, de forma a ampliar o ganho de energia pelo efeito albedo (capacidade de refletir a luz do sol) na parte inferior do módulo, melhorando a captação da energia. “Também é possível balancear a produção entre diferentes usinas ou partes de uma usina em tempo real, considerando fatores como nuvens ou sombras, para otimizar a geração e evitar penalidades”, complementa. De acordo com ele, o conhecimento acumulado sobre anomalias permite que os técnicos diferenciem ocorrências pontuais de problemas recorrentes e mais sofisticados. Barichello lembra ainda que a precisão das operações também é importante na interação com o ONS, uma vez que as usinas da empresa estão conectadas ao sistema elétrico brasileiro. Ele destaca que os dados precisos são importantes para discutir questões como o curtailment, ao demonstrar fatores como potencial de produção e as perdas financeiras. “Com informação, é possível argumentar para que a geração solar não seja cortada em horários de pico de produção, buscando um equilíbrio com outras fontes”, finaliza. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de Quem é fonte nesta matéria EMERSON BARICHELLO, gerente sênior de Projeto na subsidiária brasileira da Scatec
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=