e-revista Brasil Energia 501

30 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 bioenergia desconvidados. Jogamos 7 mil MW na lata do lixo”, lamentou. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável (ABIB Brasil), Celso Oliveira, destacou os avanços do segmento, incluindo o crescimento nos últimos 20 anos a uma média de 672 MW por ano, mas ressalva que para crescer no ritmo de seu potencial a biomassa precisa de “uma nova legislação, mais ampla e com benefícios aos produtores e consumidores de biomassa como ocorre no mercado global”. Para Oliveira, com as políticas adequadas para o segmento e com as políticas de descarbonização que vêm sendo implantadas no país será possível que o crescimento cresça a uma velocidade maior nos próximos anos, mas ele entende também que será necessário ampliar as fontes de geração a partir da biomassa. Segundo o empresário, no Atlas Brasileiro de Bioenergia, desenvolvido pela ABIB Brasil, são listados os fatores de produção e de disponibilidade futura com o potencial de oferta de mais de dois bilhões de toneladas de biomassa, incluindo florestal, madeira, agricultura, agroindustrial, cana-de-açúcar, resíduos da pecuária e agroindústrias, lodo de esgoto e resíduos sólidos urbanos. O maior projeto usa lenha A maior usina a biomassa atualmente no grupo dos empreendimentos em obras que consta das estatísticas da Aneel é a UTE Cidade do Livro, de 80 MW, um investimento de R$ 700 milhões, segundo dados do grupo IBS Energy, titular do projeto, com financiamento da Finep. Declarada pela Aneel como uma usina alimentada a lenha, seu projeto prevê a possibilidade de alimentação múltipla, incluindo resíduos florestais, bagaço de cana e palha de milho. Única usina a biomassa entre as vencedoras do leilão de capacidade (LRCap) de 2021, primeiro e único até agora realizado no país, a Cidade do Livro teve seu cronograma de instalação revisto e aprovado pela Aneel no final de novembro, com o adiamento da entrega de energia e potência de 1º de julho de 2026 para 22 de setembro de 2027. A mudança deveu-se ao reconhecimento de motivo de força maior (excludente de responsabilidade) pelo órgão regulador de 448 dias de atraso das obras em razão da demora - à revelia do empreendedor - de várias etapas legais e regulatórias do processo de outorga. O engenheiro Luiz Augusto Horta Nogueira, professor titular de Termodinâmica da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e ex-diretor Técnico da ANP, é um entusiasta da biomassa tanto para geração de energia quanto para a produção de combustíveis líquidos, especialmente das fontes florestais, incluindo a lenha, combustível de referência da UTE acima descrita. Nogueira, que foi cientista visitante na Divisão Florestal da ONU (1977/1988), ressalta que a Finlândia, um dos países mais desenvolvidos da Europa, tem na biomassa a partir de recursos florestais a base da sua produção energética, sem desflorestar, com destaque para o uso da lenha na geração de eletricidade.

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