80 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 termelétricas O levantamento da EPE também mostrou forte concentração geográfica: 59% da potência cadastrada no bloco de gás/carvão/UHEs está localizada no Rio de Janeiro, seguido por outros estados (21%), Espírito Santo (6%), Pernambuco (5%), Pará (5%) e Ceará (4%). No bloco de óleo e biodiesel, a concentração muda, com destaque para Ceará (32%), Rondônia (18%), Paraíba (14%) e Pernambuco (13%). Mello avalia que a forte presença de projetos a gás natural reflete tanto a diversidade regional do combustível quanto a entrada de novos agentes e modelos de negócio. Segundo ele, “gás tem em tudo quanto é canto”, e a disputa envolverá desde grandes projetos integrados a GNL até térmicas vinculadas à produção doméstica, passando por Petrobras, JBS - que vem consolidando posição no mercado após adquirir usinas da Eletrobras - e GNA, que deve apresentar projetos novos ao certame. Já o biometano, permitido de ser enquadrado como gás natural equivalente, afirma, “ainda é uma piadinha” em escala de potência, ao contrário do biodiesel (B100), que deve ganhar protagonismo no segundo leilão, a partir de 2030. As diretrizes do MME definem que o LRCAP do dia 18, voltado à contratação de potência de térmicas a gás e carvão mineral, além de ampliações hidrelétricas, terão produtos distribuídos entre 2026 e 2031. Para 2026 e 2027, apenas térmicas existentes conectadas ao sistema de transporte de gás poderão participar, com contratos de dez anos. A partir de 2028, entram térmicas existentes ou novas a gás, e térmicas existentes ou novas a carvão, com suprimento de quinze anos para novos projetos e dez anos para existentes. As ampliações hidrelétricas terão suprimento de quinze anos em produtos para 2030 e 2031, sempre com início de entrega previsto para 1º de agosto, exceto em 2028, quando começa em 1º de outubro. O LRCap destinado a térmicas a óleo combustível, óleo diesel e biodiesel terá produtos em 2026 e 2027 com suprimento de três anos, e um produto exclusivo de biodiesel em 2030, com contrato de dez anos e exigência de uso integral de B100. A convergência entre os números do cadastramento, as avaliações técnicas da Aneel e as análises da Thymos reforçam a percepção de que os leilões de março de 2026 definirão a configuração da segurança de suprimento da próxima década. Para Mello, o risco de subcontratação é expressivo e deve ser avaliado com cautela pelo governo. Ele afirma que, no escalonamento adequado, o primeiro leilão deveria contratar algo entre 22 e 27 GW, enquanto o segundo acrescentaria cerca de 3 GW, totalizando os 25–30 GW considerados essenciais. Qualquer volume abaixo disso, diz, deixaria o sistema vulnerável a oscilações hidrológicas, variabilidade renovável e despachos térmicos fora de escopo, com impactos tarifários relevantes. n
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