e-revista Brasil Energia 502

102 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 etanol O modal aquaviário emite 5,3 vezes menos CO2 por tonelada-quilômetro que o rodoviário. No Brasil, embora a navegação seja responsável por cerca de 12% da matriz de transportes, responde por apenas 3% de suas emissões. Metas da IMO A descarbonização do transporte marítimo ganhou, no ano passado, um impulso importante. Em abril de 2025, a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), autoridade global para definição de padrões para o transporte marítimo internacional, pré-aprovou o Net-Zero Framework, instituindo metas anuais obrigatórias de intensidade de GEE para grandes embarcações. Entretanto, sob pressões dos EUA, a adoção formal, prevista para outubro de 2025, foi adiada para o final deste ano. Enquanto isso, o setor doméstico já se movimenta para se alinhar às tendências. O trabalho destaca a viabilidade econômica do etanol como alternativa para a descarbonização na cabotagem. O combustível apresenta uma das menores intensidades de carbono - cerca de 20 gCO2eq/MJ -, inferior não apenas ao VLSFO (Very Low Sulfur Fuel Oil), combustível marítimo que atende a normas da IMO, mas também ao biodiesel e ao GNL. Além disso, o etanol é bem mais barato que alternativas com menor emissão, como amônia e metanol verde. Há vantagens também ao se considerar o momento da produção de etanol no país. O estudo destaca que a eletrificação veicular tende a reduzir a demanda do combustível nos automóveis. Ao mesmo tempo, a expansão do milho de segunda safra vem ampliando a sua oferta. E a possível importação de etanol americano coloca um senso de urgência na necessidade de se buscar novos mercados. “A cabotagem surge como via estratégica para absorver o excedente”, destaca o estudo. Viabilidade técnica O trabalho também destaca a viabilidade técnica dessa solução, lembrando que grandes fabricantes de motores marítimos já desenvolvem ativamente propulsores a etanol. Segundo o trabalho, a Everllence atestou no ano passado o funcionamento bem-sucedido de seu motor dois tempos ME-LGIM com etanol, enquanto a Wärtsilla deverá operar um motor movido a etanol a partir deste ano no Brasil. Projetos originalmente para o metanol, esses motores exigiram adaptações relativamente simples para funcionarem com o etanol. A transição da navegação de cabotagem não é uma tarefa simples, mostra o estudo. Exigiria adaptações importantes nos terminais portuários para armazenamento e abastecimento em escala elevada. Outro desafio é o custo ainda superior e a menor densidade energética do etanol frente aos combustíveis fósseis tradicionais. Ainda assim, o trabalho recomenda uma análise séria e urgente dessa opção, considerando-se um desejo real de se descarbonizar o transporte. n

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