e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 131 O papel do Banco do Nordeste no financiamento de projetos de energia renovável e os desafios que têm limitado o setor nos últimos anos deu o tom da conversa que o gerente da Superintendência da instituição na Bahia, Meneses Júnior, teve com a reportagem da Brasil Energia durante o Ibem 2026. De acordo com o executivo, os financiamentos para grandes empreendimentos eólicos e solares representaram o principal eixo de atuação do banco no setor de energia e o crédito também foi estendido para micro e pequenas empresas, bem como para pessoas físicas interessadas em instalar sistemas fotovoltaicos em residências ou comércios. Principais trechos da entrevista: • Foco em eólica e democratização da energia solar: O carro-chefe de financiamento do BNB continua sendo a instalação de grandes parques eólicos, realizados por meio de SPEs. Contudo, a energia solar gerou uma forte democratização do crédito: atualmente, cerca de 30% dos recursos direcionados para o setor solar vão para micro e pequenas empresas, além de pessoas físicas que buscam a mini e microgeração. • R$ 50 bilhões financiados e o atrativo do FNE: Ao longo dos últimos 7 anos, o banco colocou no mercado cerca de R$ 50 bilhões para projetos renováveis — com a Bahia concentrando de 22% a 25% dessa fatia. A atração de empresas do Sudeste para o Nordeste é alavancada pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que permite a oferta de crédito com juros reais negativos, operando a partir de 7% ao ano, valor bem abaixo da atual taxa Selic; • Gargalos de transmissão derrubam aplicações de crédito: A falta de linhas de transmissão tornou-se a grande vilã do setor, impactando diretamente o apetite por crédito. Meneses Júnior revelou que, em 2023, o banco aplicou mais de R$ 12,3 bilhões em energias renováveis. Já no ano de 2025, esbarrando nesse gargalo de infraestrutura, o volume despencou para R$ 7 bilhões em toda a área de atuação do banco, interrompendo uma média histórica de crescimento de 40% ao ano; • Barreira das garantias e a Resolução 4966: Outra dificuldade latente apontada pelos investidores é a estruturação de garantias sólidas. O cenário ficou mais BNB amplia crédito para renováveis, mas esbarra na transmissão Meneses Júnior, gerente de Superintendência da Bahia do Banco do Nordeste, detalha a injeção histórica de R$ 50 bilhões em energia limpa e aponta a falta de escoamento e as novas regras de garantias como os principais desafios do setor ASSISTA a vídeo-entrevista

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