132 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Ibem 2026 O cenário geopolítico mundial transformou a sustentabilidade em uma obrigação, mas alçou a soberania e a independência energética ao posto de prioridades absolutas das grandes potências. É neste contexto que a energia nuclear busca assumir o protagonismo global, destacando- -se pela capacidade de fornecer energia firme no atacado. Nesta entrevista à Brasil Energia, Celso Cunha, presidente da Abdan, analisa a urgência de integrar o setor nuclear ao sistema brasileiro para equilibrar a intermitência das fontes eólica e solar. Principais trechos da entrevista: • Geopolítica e Independência Energética: Após crises de abastecimento de petróleo e gás, nações da Europa e a China (com 33 usinas em construção) estão acelerando o uso de reatores nucleares. O objetivo principal é garantir autossuficiência e segurança energética, reduzindo a vulnerabilidade externa e viabilizando até a produção de hidrogênio e fertilizantes internamente; • O risco do Curtailment e a base do sistema: Com a rápida expansão solar e eólica, o Brasil chegou a ter 17 GW de capacidade cortados simultaneamente (curtailment). Como a energia nuclear gera em cerca de 92% do tempo, Cunha defende que ela deve atuar na base do sistema, permitindo que as hidrelétricas retenham água para os seus múltiplos usos; • A urgência de um novo marco legal: O grande entrave no país é a falta de vontade política e a necessidade de uma “Lei de Diretrizes Gerais” para o setor. A legislação atual é antiga e causa conflitos de interpretação com os papéis das agências reguladoras atuais, afastando a segurança jurídica necessária para atrair capital [08:31]. • O custo da indecisão sobre Angra 3: Segundo Cunha, considerando o que já foi gasto e as estimativas finais, concluir a usina custará cerca de R$ 25 bilhões. Por outro lado, paralisar o projeto em definitivo custaria R$ 23 bilhões. Logo, pagar R$ 2 bilhões a mais para injetar 1,4 GW no sistema é o caminho financeiramente lógico; Energia nuclear e a segurança energética Segundo Celso Cunha, presidente da Abdan, a fonte ganha relevância global por sua alta confiabilidade, superando hidrelétricas e fontes renováveis intermitentes ASSISTA a vídeo-entrevista complexo com a entrada em vigor da Resolução 4966, que alterou o cálculo de risco de crédito com foco na "possibilidade de perda". Isso fez com que muitos bancos de primeira linha recuassem na oferta de fianças bancárias, travando algumas operações.
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