e-revista Brasil Energia 502

40 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano Além do Cariri, outras regiões importantes para o Ceará estão na mira da Cegás. É o caso do Porto das Dunas, em Aquiraz, e da Praia do Futuro, em Fortaleza. Marzagão afirma que os processos de licenciamento já “foram superados” e que as obras já estão em andamento. O município de Sobral, que fica a mais de 230 km de Fortaleza, também é um alvo. No entanto, o presidente da Cegás diz que gargalos com os gasodutos de transporte dificultam o deslocamento de gás encanado para o local. Com isso, a proposta da Cegás é distribuir via GNC e GNL em um primeiro momento, até que a construção de um gasoduto seja viabilizada. Outro eixo importante de investimento da Cegás são as termelétricas, que devem demandar um investimento de R$ 50 milhões em infraestrutura para a distribuidora cearense. Marzagão aponta que cinco usinas serão abastecidas via gás natural, com expectativa de serem instaladas entre 2028 e 2032. Entre os projetos previstos estão usinas no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, na região metropolitana de Fortaleza, e no município de Aracati. O presidente da companhia afirma que as termelétricas, mesmo com poucos dias de funcionamento durante o ano, podem garantir que o volume distribuído pela Cegás dobre. De acordo com a empresa, a expectativa é que, junto aos outros investimentos de expansão, a entrada das novas termelétricas leve a oferta de gás natural do estado de cerca de 500 mil m3/dia para 1,4 milhão m3/dia. Por outro lado, o grande potencial destas usinas traz questionamentos sobre a dependência da distribuidora do volume levantado. Pioneirismo com biometano A Cegás foi a primeira distribuidora a comercializar o biometano via rede de gasodutos, o que faz desde 2018. Segundo Marzagão, o gás renovável representa entre 13% e 17% do que é distribuído pela empresa. O presidente da Cegás avalia ainda que o biometano traz uma nova demanda para a companhia, com destaque para indústrias que querem reduzir as emissões de carbono. A distribuidora tem um contrato até 2032 em modalidade firme com a GNR Fortaleza, que produz biometano a partir do biogás fornecido pelo Aterro Municipal Oeste de Caucaia. No entanto, a empresa também está de olho em novos produtores do gás renovável no estado e fora dele, o que pode aumentar a base de fornecedores no futuro. “Existem projetos também para viabilizar o biometano através do descarte do coco. Na área do Centro-Oeste, decorrente dos resíduos orgânicos oriundos da pecuária, também é um polo para se trabalhar.” Outra oportunidade de fornecimento que já está em estudo, aponta Marzagão, é o uso do lodo de estações de tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). n Quem é fonte nesta matéria EDUARDO MARZAGÃO, presidente da Cegás

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