e-revista Brasil Energia 503

24 Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 Especial de Capa O trabalho, patrocinado pela filial brasileira da chinesa State Grid, no âmbito do Programa de PD&I da Aneel, computou 105 possibilidades de construção de UHRs de 1 GW apenas em torno do reservatório da UHE Irapé, no rio Jequitinhonha (MG). Do estudo resultou um projeto completo de uma UHR de 2 GW (18 horas) em torno da usina da Cemig. Resultou ainda na publicação de um manual de inventário de UHRs. A UHR Irapé aproveitaria as sobras de geração eólica da região para bombear a água para o reservatório superior. O próprio Gesel já havia liderado outro estudo, em caráter menos profundo, entre 2019 e 2021, este patrocinado pela CPFL, controlada pela State Grid. Os dois contaram com a colaboração da EPE que vem estudando há mais de uma década a introdução das UHRs como alternativa de armazenamento. Um dos estudos feitos pela empresa federal de planejamento na década passada identificou 23 possíveis localizações de UHRs apenas no estado do Rio de Janeiro, sendo 15 com condições socioambientais favoráveis, totalizando um potencial de 21 GW. Leilão já em 2027? Para o economista Roberto Brandão, diretor técnico-científico do Gesel e coordenador dos dois projetos liderados pela instituição, se forem formuladas diretrizes adequadas, com remuneração fixa, tipo feito nos LRCAPs, que deem opção de saída para o caso de o projeto se mostrar inviável na hora do detalhamento e utilizem reservatórios existentes em cascata para instalar as turbinas reversíveis, é possível que o primeiro leilão possa ser feito em 2027. Alexandre Viana, CEO da Envol Consultoria e que colaborou nos estudos que levaram à edição do Manual de Inventário, é favorável à entrada das UHRs no Brasil, pelas contribuições que elas podem trazer ao SIN e pela tradição hidrelétrica brasileira, mas avalia que pode ser necessário mais tempo para dar a partida. Ele pondera que ainda faltam muitas definições regulatórias e que não se pode perder de vista as dificuldades do licenciamento ambiental, além da diferença de custo (Capex) em relação às baterias, por exemplo. Sobre a hegemonia chinesa em UHRs, Viana ponderou que o tempo de tomada de decisões no Brasil, uma democracia ocidental, não pode ser comparado com o do país asiático, onde as decisões são centralizadas. Ele projeta uma perspectiva de que o Brasil venha a construir cerca de 15 GW em UHRs no horizonte dos próximos 30 anos (2055). Regulamentação demorada A regulamentação do armazenamento, incluindo UHRs, é um processo que vem apresentando uma das mais longas tramitações na Aneel. A consulta pública para tratar do tema é de 2023. Após mudar de relator ano Quem é fonte nesta matéria ALEXANDRE VIANA, CEO da Envol Consultori ROBERTO BRANDÃO, diretor técnicocientífico do Gesel

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