62 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 série AMAZÔNIA & ENERGIA é mais complicado, já roda na base há mais de quatro anos, o biodiesel, menos agressivo, também pode”. Nos sistemas isolados, a Wärtsilä já possui equipamentos em operação por meio da AV Power, com 11 motores distribuídos em seis localidades. São motores 6L32, de cerca de 2,7 MW cada. Segundo Marcolino, essas unidades também poderiam ser convertidas com facilidade para biodiesel, sobretudo porque operam continuamente, reduzindo o principal desafio técnico associado ao combustível, que é a estocagem prolongada. O principal ponto de atenção é a armazenagem. O biodiesel absorve água e pode perder características após cerca de seis meses, problema que pode ser mitigado por sistemas de inertização com nitrogênio e separadores de água. Suprimento Apesar do problema de operação e armazenagem, a oferta de biodiesel para atender uma possível demanda é questão superada. A indústria produtora, caso da Binatural, confirma a tese. Para seu CEO, André Lavor, o Brasil tem capacidade industrial e disponibilidade de matéria-prima suficientes para ampliar o uso do biocombustível na geração elétrica isolada, em cenários de maior participação do B100. Segundo análise da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, a Abiove, essa indústria opera atualmente com cerca de 40% de ociosidade, o que permitiria atender misturas de até B20 sem restrições em todo o Brasil, sem grandes investimentos estruturais de curto prazo. Segundo ele, a disponibilidade de matérias-primas renováveis, como soja, óleo de palma, algodão e sebo bovino, torna a cadeia resiliente para demandas bem maiores do que as dos sistemas isolados. Para 2026, com manutenção do B15, a demanda projetada, pelo levantamento da Abiove, é de 10,5 milhões de m3. A AliançaBiodiesel, formada por Abiove e Aprobio, destaca que o setor de biodiesel possui capacidade instalada para atender uma mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel fóssil. Na avaliação de Lavor, o principal obstáculo para ampliar o uso do biodiesel na geração isolada não está na técnica, na escala produtiva ou na logística, mas na previsibilidade regulatória e contratual. “O principal fator é a previsibilidade regulatória”, afirma. Para ele, contratos de longo prazo poderiam dar segurança aos investimentos e permitir que o biodiesel avance como alternativa para diminuir a dependência de diesel fóssil importado e fortalecer cadeias produtivas nacionais. Do lado dos operadores, a avaliação é mais cautelosa. Para Cristiano Saito, da Aggreko Brasil, a definição da melhor alternativa depende não apenas da tecnologia de geração, mas da disponibilidade do combustível, do perfil de operação e das condições logísticas de cada localidade. Esse cuidado, porém, tende a ser menor nos sistemas isolados amazônicos. Como as térmicas operam continuamente ou com alto fator de utilização, o combustível é consumido e não fica parado por longos períodos. Por isso, o diretor da Wärtsilä vê a Amazônia como
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