Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 83 dução de combustível voltado à geração de energia: o Urânio, que inclusive já possui uma estatal com uma de suas funções voltada para a extração desse mineral, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O Brasil possui reservas significativas de Urânio, cuja importância ganha ainda mais destaque diante da necessidade de a Europa reduzir sua dependência do gás russo e buscar maior independência energética de regiões conflituosas. Além disso, a energia nuclear é considerada uma das fontes de geração de energia mais limpas em termos de emissão de gases de efeito estufa. Como diferencial na busca desse mercado, a posição logística do Brasil é extremamente favorável, sem restrições históricas e com uma democracia consolidada, que contrasta com crises que aconteceram em outros países fornecedores desse mineral estratégico, como o Níger, na África, que recentemente nacionalizou suas minas, há décadas nas mãos de empresas francesas. O fato é que a mina de Santa Quitéria, no Ceará - nossa maior jazida de Urânio no país, mais relevante que a histórica jazida de Caetité, na Bahia -, não consegue avançar, em um paradoxo em relação aos riscos e às oportunidades que temos para agregar valor a produtos minerais no Brasil. A jazida de Santa Quitéria, no município homônimo do Ceará, a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, tem potencial para ser o novo “eldorado” brasileiro, gerando cerca de 6 mil empregos em uma região com baixíssimo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Aliás, tal projeto poderia aumentar em até 10 vezes o PIB daquela região. Isso possui valor especial pelo fato de Santa Quitéria, hoje, de acordo com uma pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), ser a cidade do Ceará com a pior combinação entre saúde, educação, violência e emprego, levando a um índice líder de vulnerabilidade dos jovens. Na jazida, que possui Urânio agregado ao fosfato (utilizado como fertilizante, do qual o Brasil é grande importador para atender a necessidade do agro), a previsão é que sejam produzidas anualmente pelo Consórcio Santa Quitéria (INB/Galvani) 1.050.000 toneladas de fertilizantes fosfatados e 2.300 toneladas de concentrado de Urânio, além de 220.000 toneladas de Fosfato Bicálcico, utilizado para nutrição animal. Para se ter uma dimensão desse potencial, o volume de Urânio seria o suficiente para abastecer Angra 1, Angra 2 e, futuramente, Angra 3, que juntas consomem somente cerca de 800 toneladas anuais. O restante seria disponibilizado para exportação e até associado a parcerias que agregassem maior valor ao produto aqui produzido e geRegião de Santa Quitéria (CE): a mina pode suprir Angra 1, 2 e 3 e gerar cerca de 6 mil empregos em uma região com baixíssimo IDH
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