e-revista Brasil Energia 505

46 Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 As Lideranças Empresariais Roberto Ardenghy, IBP ca de 65% da receita da produção a impostos e royalties. Sobre essa base pesada, o novo imposto de exportação de 12% sobre o barril é visto por Ardenghy como onerosidade extra e juridicamente questionável, já que o país tem superávit de petróleo — sem desabastecimento a proteger. O IBP recorre à Justiça para reverter a medida. Refino, biorrefino e segurança energética: Ardenghy revisou sua posição sobre ampliar a capacidade de refino, defendendo que a transição energética é uma “maratona”, não uma “corrida de 100 metros”. O conflito no Oriente Médio reforçou o argumento da segurança energética diante da dependência de diesel importado de regiões instáveis. Ele defende ainda investimentos em biorrefino, área de liderança brasileira incorporada ao próprio nome do IBP. Fracking: o IBP defende que a regulação do fraturamento hidráulico seja tratada em âmbito federal, pela ANP, e não por decisões estaduais ou judiciais. Ardenghy aponta contradição no fato de o Brasil proibir a técnica internamente enquanto importa gás produzido por fracking dos EUA e da Argentina. Bacias prioritárias: Margem Equatorial, Espírito Santo, Sergipe-Alagoas, Campos, Santos e Bacia de Pelotas — esta última com potencial associado à descoberta de gás na Namíbia — são apontadas como focos de atenção da indústria. Revitalização de Campos e Santos: Ardenghy defende que o caminho para elevar o fator de recuperação nessas bacias maduras é tecnológico, citando a diferença entre os 21%-22% médios do Brasil e os 34%-35% da Noruega. Ele lembra que a ANP já implementou um ajuste regulatório permitindo redução de royalties como incentivo à revitalização, mas essa flexibilidade está hoje restrita a campos onshore — enquanto 95% da produção brasileira é offshore. Gás natural: a associação do gás ao petróleo em reservatórios offshore e os altos custos de infraestrutura (gasodutos, liquefação) dificultam a redução de preços. Ardenghy defende financiamento público para viabilizar projetos e aponta o mercado de consumidor livre como avanço, com quedas de até 50% em alguns contratos no Nordeste. Conteúdo local: a política deve ser “balanceada”, segundo Ardenghy, que cita o modelo norueguês — que evoluiu de 5% a 8% de conteúdo local nos anos 1970 para mais de 70% atualmente — como referência de gradualismo. Contribuição econômica: nos últimos cinco anos, o setor recolheu R$ 500 bilhões em royalties e participação especial, R$ 100 bilhões em ICMS, gerou 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos e investiu US$ 5 bilhões em P&D. Assista a entrevista na íntegra aqui:

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=