e-revista Brasil Energia 505

54 Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 Ieda Gomes é consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Ieda Gomes embora distintos daqueles observados na Europa. O país possui elevada produção doméstica bruta de gás natural, mas continua dependente de importações de GNL para complementar o atendimento da demanda, sobretudo durante períodos de despacho intenso das usinas termelétricas. Quando os preços internacionais do GNL sobem, o custo marginal de suprimento do sistema brasileiro aumenta rapidamente. Como consequência, elevam-se os custos de geração elétrica, pressionando o PLD - Preço de Liquidação das Diferenças e os encargos do setor elétrico. Os consumidores industriais que dependem do mix de gás importado enfrentam maiores custos de produção, reduzindo sua competitividade. Essa conjuntura também evidencia uma fragilidade estrutural da política brasileira de gás natural. Enquanto diversos países procuram reduzir sua exposição aos preços spots de GNL, mediante contratos de longo prazo e maior diversificação de fornecedores, o Brasil continua convivendo com elevados preços internos mesmo dispondo de abundantes reservas nacionais. Os custos da infraestrutura de escoamento e processamento, associada à limitada concorrência na oferta doméstica, faz com que o consumidor brasileiro pague preços superiores aos internacionais. O conflito com o Irã reforça a importância de acelerar as reformas do mercado brasileiro de gás. Quanto maior a volatilidade internacional, maior seria o valor econômico da produção doméstica. A expansão e o acesso não discriminatório às unidades de escoamento e processamento, o aumento da concorrência na comercialização e maior transparência na formação dos preços tornam-se elementos centrais para reduzir a vulnerabilidade do país aos choques externos. A guerra no Oriente Médio interrompeu temporariamente a esperada trajetória de abundância do suprimento de GNL, recolocando o risco geopolítico no centro da formação dos preços internacionais. Para o Brasil, o episódio demonstra que possuir grandes reservas não é suficiente: sem um mercado doméstico competitivo e eficiente, o país continuará exposto às oscilações do mercado internacional e seus consumidores seguirão pagando um dos preços mais caros entre os grandes produtores mundiais. O país possui elevada produção doméstica bruta de gás natural, mas continua dependente de importações de GNL para complementar o atendimento da demanda, sobretudo durante períodos de despacho intenso das usinas termelétricas.

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