Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 61 Pirataria + El Niño Além das dificuldades enfrentadas no transporte do diesel, por meio de balsas, para as localidades no interior da Amazônia, o combustível tem sido alvo da ação de piratas. De acordo com levantamento feito pelo Instituto Combustível Legal, foram roubados na Amazônia 8,4 milhões de litros de 2020 até agora. O Amazonas lidera o ranking das ações da pirataria, tendo registrado no ano passado um pico de 50 ataques. Os roubos e a ação dos piratas trazem mais incerteza e instabilidade ao fluxo dos combustíveis para as geradoras térmicas, contribuindo para elevar custos. Já a ação de El Niño, o fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, vem acrescentando contornos dramáticos às dificuldades de transporte na região. Na região, calcula-se que os rios percam pelo menos 40% de sua capacidade de navegação, limitando muito o transporte. Normalmente, o El Niño se manifesta por períodos de chuvas fortes mais no Sul do país e de secas intensas na Região Amazônica. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) identificou, nesse século, pelo menos quatro manifestações agudas do El Niño na Amazônia – nos anos 2005, 2010, 2015-2016 e 2023-2025. Para os meteorologistas do laboratório, esses eventos são bastante incomuns, considerando-se uma regularidade esperada para impactos severos do fenômeno climático de uma vez por século. A seca mais recente, que perdurou por 2023 e 2024, provocou impactos enormes. De acordo com os cálculos do professor Rocha, as secas mais recentes provocaram prejuízos de quase R$ 3 bilhões à economia do Estado do Amazonas. A redução do nível do rio Amazonas para um recorde de baixa impediu a navegação até Manaus de embarcações com maior calado. O fluxo de mercadorias chegou a ser interrompido, afetando as atividades da Zona Franca de Manaus. A redução do nível do rio obrigou as autoridades a estabelecerem um píer em Itacoatiara, distante 6 horas por balsa de Manaus, para que as embarcações Operação Ship to Barge, realizada pela Atem em Itacoatiara (AM), com transferência de cargas de navios para balsas menores Foto: Caio de Biasi/Divulgação Atem
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