Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 75 Coautores: Bruno Leonel, Normando Lins e Cristiane Alkmin J. Schmidt Descomissionamento de ativos de GN É importante que se provisione esse investimento enquanto a indústria ainda gera receita. Mesmo para o gás natural, com demandas de descomissionamento mais favoráveis do que as infraestruturas de petróleo Descomissionamento é o conjunto de atividades técnicas, ambientais e administrativas realizadas ao final da vida útil de uma instalação industrial com o objetivo de encerrá-la de forma segura, ordenada e ambientalmente responsável. Em essência, trata-se de “desmontar” a infraestrutura que foi construída para produzir, transportar e entregar energia, de modo que o local onde ela operava possa ser devolvido ao meio ambiente ou reaproveitado para outras finalidades. No caso do gás, trata-se dos poços, das linhas de produção, dos gasodutos, das instalações de produção, das instalações de liquefação e gaseificação, dos navios e armazenagem em terra ou no mar. A indústria de gás natural, por ser menos poluente do que a do petróleo e do carvão, apresenta demandas de descomissionamento mais favoráveis: a contaminação é menor e a limpeza das estruturas de armazenamento, transporte e consumo do gás é mais simples de ser executada. De qualquer forma, enfatiza-se a urgência de ser planejado o provisionamento agora, enquanto a indústria ainda gera receita. Reservas e Produção Mundial Estima-se que o mundo já tenha produzido mais de 170 trilhões de m3 de gás natural, provenientes dos chamados reservatórios convencionais e não convencionais. Estes últimos originam-se principalmente dos Estados Unidos, China, Canadá e, mais recentemente, da Argentina. Atualmente, a produção e o consumo mundiais situam-se em torno de 4 trilhões de m3/ano. As reservas convencionais são estimadas em aproximadamente 200 trilhões de m3 e um volume similar é atribuído aos reservatórios não convencionais (shale gas), estimativa no segundo caso conservadoras, dada a falta estudos detalhados para a devida certificação dessas reservas. Portanto, o mundo pode ainda abrigar grandes reservas de gás a serem descobertas, especialmente em águas ultraprofundas, o que poderia garantir a continuidade das reservas nos níveis atuais de produção por cerca de 100 anos. Quando o gás precisa ser transportado sem o uso de gasodutos - o que ocorre frequentemente nas exportações -, ele deve passar por um processo de liquefação, o que torna o transporte mais complexo e aumenta a quantidade de estrutura a ser descomissionada ao final do ciclo produtivo. Um mapa elaborado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e utilizado nesse artigo indica onde se concentram as maiores reservas de gás natural do mundo. Destacam-se a Sibéria, o Mar de Barents e o Oriente Médio, onde se localiza o maior campo de gás do planeta, compartilhado entre Irã e Qatar. Nas últimas décadas, boas descobertas também foram realizadas no leste africano e no Mar Mediterrâneo, em especial em Israel e no Egito. Descomissionamento no gás Não encontramos um número síntese da quantidade de poços de gás ativos no mundo. Há indicações José Almeida dos Santos, geólogoUFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia mensalmente. José Almeida
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=