76 Brasil Energia, nº 506, 02 de setembro de 2026 de que somente nos Estados Unidos existam mais de 450 mil poços ativos, grande parte deles horizontais, voltados para reservatórios não convencionais. Na Rússia, um dos maiores produtores mundiais, estima-se a existência de mais de 10.000 poços. Nos campos offshore, o número de poços é, em geral, menor. Muitos outros poços produzem gás associado ao petróleo e, em alguns casos, após o encerramento da produção de óleo, convertem- -se em poços de gás. Para fins de estimativa, considerando aproximadamente 600 mil poços ativos a serem descomissionados ao final de sua vida produtiva - e adotando um custo unitário similar ao de um poço de petróleo, de cerca de US$ 300 mil -, o custo total do descomissionamento de todos os poços, incluindo a remoção das linhas de produção, o arrasamento e a recuperação das locações, chegaria a aproximadamente US$ 180 bilhões. O mundo conta atualmente com cerca de 2.084 plantas de processamento e tratamento de gás natural (dados de 2023). Os Estados Unidos lideram com 987 unidades, seguidos pela Rússia com 177, China com 162 e Alemanha com 131; as demais 627 unidades distribuem-se por outros países, incluindo a Argélia. Os 20 maiores países produtores concentram mais de 78% do total das plantas de processamento de gás do planeta. Essas instalações recebem, processam e tratam o gás antes de seu envio ao mercado consumidor. Há indicações de que uma planta com capacidade de processamento de 3 milhões de m3 por dia possa custar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, dependendo de fatores como localização, especificações técnicas, tipo de gás a ser tratado e necessidade de remoção de líquidos. Esse mesmo patamar de investimento pode ser tomado como referência para o custo do descomissionamento completo, incluindo limpeza da área, remoção de materiais, equipamentos e estruturas, bem como de toda a rede de dutos associada. Adotando um valor médio de US$ 400 milhões por planta e considerando o total de unidades existentes no mundo, chega-se a um custo estimado superior a US$ 800 bilhões para o descomissionamento integral do parque de processamento. A venda do material e dos equipamentos descomissionados poderá representar uma redução de aproximadamente 30% nesse montante. Liquefação de GNL Em 2024, operavam no mundo aproximadamente 80 terminais ativos de liquefação de gás natural em GNL, com capacidade total de cerca de 500 milhões de t/ano. Os Estados Unidos figuravam com 16 terminais, seguido por Austrália (12) e Qatar (11), cabendo aos demais países as 41 unidades restantes. A Ásia vive um período de rápida expansão, com potencial de agregar até 290 bilhões de metros cúbicos adicionais de capacidade por ano até 2030. Os custos de implantação de uma planta com capacidade entre 3 e 5 milhões de t/ano podem alcançar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões, dependendo de diversas variáveis. Para efeito de estimativa, considera-se que o custo do descomissionamento corresponda à metade do valor de construção, ou seja, em torno de US$ 2 bilhões por unidade, com possibilidade de recuperação parcial pela venda dos materiais e equipamentos. Assim, o custo total do descomissionamento de todas as plantas de liquefação pode atingir um montante da ordem de US$ 160 bilhões, incluindo a remoção de todas as linhas e conexões envolvidas. Terminais de Regaseificação Existem atualmente 192 terminais de regaseificação ao redor do mundo, com capacidade total de 1,14 bilhão de t/ano. Cerca de 48 países importam GNL atualmente, enquanto 20 países figuram como exportadores, entre eles os Estados Unidos, que passaram a exportar gás há aproximadamente quatro anos, em razão da produção de shale gas oriunda dos reservatórios não convencionais. A Ásia lidera como região importadora, respondendo por 65% de todo o mercado, frequentemente por meio de contratos de curto prazo. Embora os terminais de regaseificação sejam facilidades operacionais de processos relativamente simples, continuação do artigo Descomissionamento de ativos de GN
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