e-revista Brasil Energia 507

Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 47 os campos maduros. O Modelo de Provisionamento Progressivo (MAP), criado pela Resolução ANP nº 854/2021, permite que uma cessionária independente constitua progressivamente as garantias financeiras necessárias à desativação do ativo, em vez de imobilizar de imediato todo o valor estimado para o descomissionamento. Na prática, o mecanismo reduz a pressão financeira sobre o operador no momento da aquisição e preserva recursos para investimentos capazes de recuperar produção. O descomissionamento continua sendo uma obrigação, mas pode ser deslocado para uma etapa posterior caso o campo ainda tenha viabilidade técnica e econômica. É uma diferença fundamental para entender o Nordeste. De um lado, há ativos que chegaram ao fim da vida produtiva e precisam ser retirados. De outro, existem campos antigos que ainda podem gerar caixa se receberem investimentos. A idade da plataforma, portanto, não determina sozinha a hora de desmontá-la. A oportunidade sergipana Em Sergipe, a situação é mais definida. A Petrobras prevê concluir a chamada prontidão das 26 plataformas até o próximo ano e retirar as estruturas até 2035. Também estão previstos 169 abandonos permanentes de poços até 2031. Os campos que serão totalmente descomissionados no mar na próxima década incluem Camorim, Dourado, Caioba, Guaricema e Piranema. Ao todo, são 20.464 toneladas de aço e mais de 300 quilômetros de dutos rígidos. Só a limpeza de 56 quilômetros de dutos já foi concluída. A escala explica por que o governo sergipano tenta transformar o encerramento de uma atividade em uma nova frente de negócios. “O petróleo e gás foram muito importantes para Sergipe”, resume o secretário do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe, Valmor Barbosa. O problema agora é evitar que o dinheiro gerado pela nova etapa da indústria simplesmente atravesse a fronteira estadual. Sergipe não possui uma estrutura industrial comparável à da Bahia ou

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