Brasil Energia, nº 507, 21 de setembro de 2026 73 do do tipo de UHR que se pretende construir, se de ciclo aberto, semi-aberto ou fechado, por exemplo, acaba inibindo a formação dessa carteira. Lopes disse que sua estimativa de valores necessários à elaboração de um projeto de UHR não é aleatória, mas baseada na experiência da Iberdrola, empresa espanhola que controla a Neoenergia e que tem atualmente cerca de 4,5 GW de reversíveis entre seus ativos. O custo do projeto, segundo ele, vai de 10 milhões a 20 milhões de euros, dependendo do tipo de usina. Pela sua proposta o esquema de financiamento retornável seria executado por uma agência pública de fomento, como o BNDES. Em entrevista a Brasil Energia, o líder de Regulação e Litígios da PSR, Jairo Terra, disse que a ideia seria uma das alternativas para estimular a elaboração de inventários sem a certeza de que eles serão transformados em usinas. Outra possibilidade, na sua avaliação, seria a criação de um mercado de projetos de UHRs, no qual o desenvolvedor pudesse negociar para outro agente o projeto elaborado. No painel da Coppe, Terra fez uma ampla explanação sobre as perspectivas das UHRs e sobre o que precisa ser feito para tirar essas perspectivas do papel. Segundo ele, em uma das simulações que a PSR vem fazendo sobre as UHRs, o modelo projetou para até 2050 uma necessidade para o SIN de 31,2 GW em reversíveis. A construção dessa capacidade, de acordo com o modelo da consultoria, permitiria uma economia de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) em custos para o sistema, sendo 23,5% em custos operacionais, principalmente em combustíveis para térmicas e em cortes de geração (curtailment). Segundo os dados, esse curtailment seria reduzido de 8,4% para 3,2%. O técnico da PSR disse que o grande potencial brasileiro está em UHRs de ciclo aberto e semi-aberto, associadas a reservatórios existentes, e lamentou que a regulação, até porque liderada pela agenda das baterias, venha dando ênfase as reversíveis de ciclo fechado, o que reduz em muito, segundo ele, esse potencial. Sendo a perspectiva de retorno do investimento de um tipo de projeto intensivo em capital durante a construção um aspecto crítico para destravar as UHRs no Brasil, não só Terra como outros participantes concordaram que a rota certa para estimular tanto empreendedores como instituições de fomento a investir passa pelos leilões de capacidade, com receita fixa. Essa rota permitiria aproveitar as características das reversíveis não só como armazenadoras como também como fornecedoras de flexibilidade, potência e serviços ancilares. A geração de energia, cujo balanço é deficitário em relação ao custo do bombeamento, seria um possível aproveitamento secundário. n Quem é fonte nesta matéria MARCELO LOPES, diretor de Operação de Geração e Transmissão da Neoenergia JAIRO TERRA, líder de Regulação e Litígios da PSR
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