Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 7 a ABVE, a recarga rápida já está presente em 38% da rede. Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da associação, afirma que “quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico, e mais de mil deles já têm carga rápida”. Mas existe outro gargalo mais difícil de superar, que diz respeito à vida útil das baterias. No mercado de usados, um carro simples, com um mínimo de acessórios, muitas vezes tem maior demanda do que um carro completo, onde cada acessório pode se tornar um problema caro para o comprador de menor renda. O que fazer com a bateria quando acaba? Soluções de reciclagem já estão aparecendo, mas esse não é o ponto. A solução ambiental para o descarte das baterias não é considerada por quem compra um usado. Mas a reposição por uma nova, por menor que seja o preço das baterias, esse é um ítem desconsiderado em um mercado de baixo valor. Para o comprador de alto poder aquisitivo, a dor da desvalorização será sentida não agora, mas na hora de se desfazer de um VE com mais de 6 anos que ele comprou de primeira ou segunda mão. É de se supor, portanto, que salvo outras variáveis os VE teriam potencial de penetração parcial em 23% do mercado total, ou 4,2 dos 18,4 milhões de vendas de novos e usados. A Renovação da Frota Outro fator que poderá abrir espaço aos VE no mercado de usados é a velocidade da renovação da frota. Um estudo da entidade sem fins lucrativos ONSV - Observatório Nacional de Segurança Viária, realizado em 2023, revelou que a renovação da frota em geral pode não acontecer apenas em decorrência de maior ou menor poder aquisitivo do consumidor e que o sinal de preço não é tudo. Partindo dos dados do Renavam disponíveis à época e de outras bases de dados, o estudo detectou que a idade média da frota brasileira oscila entre 11 e 15 anos, a depender dos critérios de análise. No estudo, a Região Norte apareceu com a frota mais nova do país, com média de 12,62 anos, um paradoxo ante o fato do Norte ser a região brasileira com menor pib per capita. Na sequência aparecem o Nordeste (14,48 anos), Centro-Oeste (16,16 anos), Sudeste (18,37 anos) e o Sul, que detém a frota mais antiga, com média de 19,7 anos. Que fatores seriam então determinantes para gerar discrepância tão grande, superior a 50% e com sinais invertidos entre regiões mais ricas e mais pobres? Entender esses fatores é crucial para esta análise. Os autores do estudo - Louise Fuhrmann e Jorge Tiago Bastos – avaliam que “um dos motivos para a idade média da frota ser baixa nos estados do Norte e Nordeste pode estar relacionado ao processo mais recente de aumento do índice de motorização experimentado nestas regiões”, onde a população entrou no mercado automotivo mais tarde do que em outras regiões. Ou seja, no entender dos autores, esta discrepância tenderia a diminuir ou desaparecer no médio e longo prazos com o desenvolvimento socioeconômico desses mercados. Mas para que isso aconteça, é de se esperar que a renda média do brasileiro no Norte-Nordeste alcance o nível de renda do brasileiro do Sul-Sudeste. Para o Centro Oeste a análise é outra. Fonte: ABVEData
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