e-revista Brasil Energia 508

Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 97 O status da retomada da atividade petrolífera na Venezuela Este artigo examina as possíveis trajetórias da produção, a dimensão e o aspecto crítico das reservas, os novos acordos de investimentos e os riscos jurídicos e políticos associados ao tratamento desses recursos pelo governo interino, sob a vigilância do governo norte-americano Mesmo com as dificuldades impostas pela extração de petróleo predominante pesado (até 21 API), a Venezuela vinha apresentando crescimento contínuo desde a década de 1940, tendo alcançado seu máximo histórico de 3,71 milhões de barris/dia em 1970. Após a nacionalização da indústria do petróleo no país, em 1976, e a criação da estatal PDVSA, a produção declinou bastante até 1985. No período entre 1985 e 1998, a produção voltou a crescer com a contribuição de iniciativas, como os Convênios Operacionais e os Convênios/Alianças Estratégicas, com o aporte de investimentos estrangeiros, chegando a ultrapassar os 3 milhões de barris/dia. Em 2 de fevereiro de 1999, quando Hugo Chávez assumiu o poder, a PDVSA já estava bem posicionada como geradora de valor. Mas a partir deste momento passou por turbulências e iniciou seu declínio da produção. Um fato marcante ocorrido entre 2002 e 2003 foi a demissão de 18 mil trabalhadores - recursos humanos de alto nível técnico e gerencial da PDVSA – ordenada por Chavez porque se opunham às suas ideias. Após 2007, a indústria sofreu outro revés. Expropriações, via cancelamento unilateral dos Convênios Operacionais e dos Convênios/Alianças Estratégicas, converteu as empresas no país em “empresas mistas” controladas e operadas pela PDVSA que, assim, assumiu o controle total e monopolista de toda a indústria petrolífera venezuelana. O gráfico publicado em artigo da Reuters “How Venezuela pulled its oil production out of a tailspin”, por Parraga, M., de 27/12/2021, mostra o histórico da evolução da produção de petróleo do país, incluindo altos e baixos e o declínio da produção. Os recentes eventos na Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro, acarretaram muitas mudanças na indústria petroleira do país. Aos poucos vai acontecendo a retomada das atividades e, fato relevante, a redução das vendas do petróleo para alguns países, entre estes China e Cuba. O governo venezuelano vem adotando outras medidas em relação a indústria de petróleo, não se sabe se por convicção ou por orientação emanada pelos Estados Unidos. Daí há o risco de uma possível ilegitimidade das novas regras e de possíveis conflitos futuros com outros governos que venham a suceder o atual ou mesmo com organizações civis ainda bem atuantes. O fato é que a produção de petróleo na Venezuela chegou ao patamar mais baixo nos últimos 50 anos e isso não derivou do declínio normal da produção, mas certamente da precária manutenção dos campos. As reservas publicadas da Venezuela montam a 303 bilhões de barris de petróleo, segundo a Venezuela’s Oil and Gas Industry: The Challenge of Sustainable Recovery, José Almeida José Almeida, geólogo-UFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia mensalmente.

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