e-revista Brasil Energia 508

98 Brasil Energia, nº 508, 30 de outubro de 2026 continuação do artigo O status da retomada da atividade petrolífera na Venezuela The Oxford Institute for Energy Studies, em artigo assinado por Orlando A. Ochoa, em agosto de 2026. Essa cifra é questionável, sobretudo pelo expressivo componente de petróleo extrapesado do Cinturão do Orinoco, cujo volume recuperável estimado, de 261 bilhões de barris, corresponde a 86% dos volumes recuperáveis do país. A cifra considera um Fator de Recuperação da ordem de 20%, teoricamente viável, embora ainda não realizável com as tecnologias disponíveis. Por outro lado, estudos feitos pela comunidade científica da Venezuela e internacional em 2005 indicam que as reservas provadas poderiam se situar em torno de 80 bilhões de barris, certamente bem diferentes dos números oficiais que levam em conta o óleo do Cinturão do Orinoco. Há outras indicações de que o Cinturão do Orinoco teria um volume de 1,36 trilhão de barris de óleo in place (PDVSA Plano 2005-2012). A questão é quanto desse volume pode ser efetivamente tratado como reservas provadas. A Venezuela também dispõe de reservas importantes de gás natural. Segundo a mesma publicação do Oxford Institute, o país tem reservas provadas de 193,4 TCF de gás, dos quais 170 TCF de gás associado ao petróleo e 23,4 TCF de gás livre. As bacias marítimas da Venezuela têm potencial para produção relevante de gás livre, como já ocorre com as descobertas no Golfo da Venezuela, a exemplo do campo gigante de Perla, descoberto pela parceria e operação conjunta entre a Repsol e a Eni, em 2009. Este campo, com reservas de 17 TCF, é tido como uma das mais importantes descobertas de gás livre da América Latina (AAPG Memoir 113, p 141-152). A Venezuela ainda conta com importantes descobertas de gás ainda não desenvolvidas, no trend dos campos de gás de Chaconia e Hibiscus, em Trinidad e Tobago. Estes campos produzem em reservatórios turbidíticos do Terciário (Mioceno e Plioceno), foram desenvolvidos para produção de gás para o Projeto Atlantic LNG. As ocorrências do lado venezuelano, como Dragon, Patao, Rio caribe e Mejillones, poderiam conter um volume recuperável combinado de 12 TCF. Este conjunto foi objeto de um projeto de LNG entre a Shell e PDVSA (Cristóbal Colón) previamente ao governo Chávez, que ao assumir encerrou a negociação. E criou um novo projeto, sob a denominação de Mariscal Sucre, mas que não conseguiu sócios, por um lado, pela natureza de projeto de capital intensivo, por outro, a aspiração do governo pelo projeto híbrido, para consumo interno e exportação de LNG. A Shell, operadora do projeto Atlantic LNG, em Trinidad e Tobago, vinha recentemente desenvolvendo tratativas com a PDVSA para aproveitar o gás venezuelano, principalmente do Campo de Dragon, como suprimento alternativo aos campos de Trinidad e Tobago em declínio. Após a saída do Maduro, a Shell tem manifestado interesse no desenvolvimento das reservas do lado venezuelano e outras descobertas de gás livre na fronteira sul de Trinidad e Tobago com a Venezuela. Recentes anúncios dos governos dos Estados Unidos e Venezuela, permitindo contratos para a recuperação dos campos, incluindo infraestrutura, recuperação dos poços, aumento técnico e econômico sustentável do fator de recuperação, entre outros, poderiam levar a um possível incremento das reservas. Mas é prematuro afirmar que este objetivo poderia corresponder ao que aspira o governo americano. Os detalhes desses acordos não são inteiramente conhecidos. Tudo indica que 17 campos foram adjudicados em concessão a uma empresa mista venezuelana e norte-americana, de capital fechado, a North American Blue Energy Partners, controlada por um venezuelano, com passado não muito claro, e com garantia de que toda produção será destinada ao mercado dos Estados Unidos. As indicações dão conta de 65 bilhões de barris recuperáveis e investimentos previstos de mais de 100 bilhões de dólares, baseados em contratos de concessão de 100 anos. Salvo melhor juízo e às práticas em outros países, trata-se de um prazo extraordinariamente longo. Alguns especialistas com maior conhecimento dos acordos se

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