Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
Brasil Energia , nº 451, junho 2018 11 Como está estruturada a área de inovação da EDP no Brasil? A EDP criou em 2007 uma empre- sa, a EDP Inovação, para ter autono- mia no desenvolvimento de projetos e não depender tanto da organização. No Brasil, essa é uma área que está dentro de uma vice-presidência No- vos Negócios e a estratégia está bas- tante alinhada com a da empresa de crescimento e o roadmap de tecnolo- gia. Temos três frentes de atuação. A primeira é de apoio ao empreendedo- rismo, voltado para o mercado: bus- camos projetos de fornecedores, star- turps, instituições de pesquisa. Depois temos P&D, no âmbito do programa da Aneel, que destina 1% da receita operacional líquida para novos proje- tos, o que nos ajuda muito, porque há uma independência de fundos. A ter- ceira frente é a criação de uma cultura interna de inovação na empresa, pa- ra incentivar intraempreendedorismo Como funciona a atração de projetos externos? Quais são os te- mas prioritários? Nosso grande projeto nessa frente é o EDP Starter Brasil, que é um progra- ma de aceleração, no conceito de ino- vação aberta, convidando diversas star- tups. São seis temas específicos. Um tra- ta de áreas transversais, como logística e RH, comuns a todos as empresas. Os outros cinco são mais estratégicos para o negócio da companhia. Um primeiro seriam as soluções com foco no clien- te: a gente vê que mercado de energia, principalmente no Brasil, vai ter essa li- beração, em que o consumidor vai po- der escolher produzir a sua energia ou de quem comprar. A gente quer encon- trar soluções para novos serviços para o consumidor. Podemos citar mobilida- de elétrica, serviços de gestão inteligen- te de consumo. Atualmente as empresas de energia estão em todas as casa, têm dados de consumo, de comportamento dos aparelhos, temmuita oportunidade para desenvolver novos serviços. E como as novas tecnologias po- dem facilitar o desenvolvimento desses serviços? Esse seria um segundo tema, as re- des inteligentes: buscar soluções para fazer todo o trabalho remoto, não ter mais eletricista de campo fazendo cor- te, religação. Melhorar o atendimento ao cliente, porque podemos identificar mais rapidamente problemas e muitas vezes solucionar também de forma re- mota, do centro de controle. Essa área está muito ligado a internet das coisas, o sensoriamento, com o medidor inte- ligente, permitem a coleta de dados e desenvolvimento de serviços associados Quais são os outros focos de inovação? Temos armazenamento de energia, em que estamos falando de baterias. No Brasil ainda é uma tecnologia cara. Mas a expectativa é que com ganho de escala e a melhoria da eficiência, esses preços baixem, como aconteceu com painéis fotovoltaicos. Ao mesmo tem- po, vemos a regulação caminhar para o estabelecimento de tarifas horárias. O uso de baterias fica mais interessan- te com esse tipo de regulação, o consu- midor pode gerar fora de pico e arma- zenar para consumir nos momentos em que a tarifa tende a ficar mais cara. Quais são os outros temas? O quarto são as energias limpas. Tudo que está relacionado à melhoria de eficiência, modelos híbridos como solar com eólica, ou com baterias. Ou mesmo melhoria de eficiência das usi- nas. Um exemplo é a parceria com a Delfos, uma startup cearense que faz análises preditivas para manutenção de turbinas eólicas (selecionada pela aceleradora da companhia no ano pas- sado). Eles têm um modelo bem inte- ressante que, através do sensoriamen- to de turbina, consegue captar as va- riações de temperatura, de vibração, e fazer uma análise preditiva de como resolver aquele problema, baseada em dados do passado, com projeções pa- ra o futuro. Há uma aprendizagem a partir dos dados coletados? Sim, estão desenvolvendo o uso de uma plataforma da IBM, de machi- ne learning. Há um aprendizado con- tínuo, conforme tem mais dados, a máquina vai ficando mais inteligente. Isso está sendo testado no Brasil? Estamos em um projeto piloto com eles, na Espanha. O corpo técnico da EDP está concentrado lá, no caso de turbinas eólicas. A ideia é que finalizan- do o projeto lá, essa solução seja aplica- da nos parques em Fortaleza, no Brasil. E qual seria o último tema? Inovação digital, que envolve uso de blockchain, analytics, big data, machine learning, deep learning, in- teligência artificial. Tudo que estiver relacionado a novas tecnologias que agreguem valor aos dados produzi- dos. Um mesmo projeto pode perme- ar dois, três temas. Isso é para captu- rar o máximo possível de tecnologias. Nesses programas de aceleração, te- mos até uma dificuldade de comuni- car para as startups sobre essas opor- tunidades. Há muitas empresas que não atuam no core business de ener- gia, mas têm uma solução que pode ser adaptada para energia. Quais são as estratégias para atrair as startups? Estamos com essa chamada aberta até 31 de maio, para o EDP Starter. Te-
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