Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
Brasil Energia , nº 451, junho 2018 13 E há um plano para levar isto para outras áreas? Sim, estamos aplicando em proces- sos da distribuição e geração e estamos caminhando para o uso de robôs de se- gunda geração, que além dessas fun- ções repetitivas, podem ter inteligência artificial, com possibilidade de tomada de decisão. Criamos um centro de ex- celência em robotização, que tem a ver com o Pacto da digitalização humani- zada. Isso vai ter umgrande impacto na indústria e nossa preocupação é capa- citar as pessoas que serão substituídas por esse robôs, para programá-los. Fir- mamos esse pacto e há várias empresas interessadas em fazer parte disso. A ro- botização e uso de inteligência artificial têm ganhado uma proporção maior e está crescendo muito rápido. São tec- nologias que têm muita a oferecer. Criamos uma área focada emAnalytics: criação de modelos e algorítmos. Outra tecnologia que pode ser muito disrup- tiva, mas que talvez demore mais para se desenvolver é o blockchain. A EDP desenvolve algum pro- jeto com o uso dessa tecnologia? Estamos desenvolvendo um pro- jeto para gerenciar sistemas de gera- ção distribuída. No Brasil, a regula- ção é muito compatível com os usos de blockchain. As transações e os cál- culos para cobrança e tributação serão realizadas com segurança sem a ne- cessidade de instalação de um medi- dor inteligente. A grande maioria dos consumidores ainda não têmmedidor inteligente. A Riddle & Code trouxe essa etiqueta com um microchip que é criptografado. Podemos mandá-la através de carta pelo correio e uma se- nha por e-mail para acioná-la. O con- sumidor coloca a etiqueta em seu me- didor comum e pode passar o celular sobre ela fazer leitura do seu consumo e do que está sendo recebido Oque mais está no radar da Ino- vação no Brasil? Mobilidade elétrica. Temos rece- bido empresas que estão buscando entender o que pode ser feito, que- rem trocar suas frotas para cumprir com compromissos e metas. A EDP está atuando nos postos de recarga. A gente tem uma parceria com a BMW, vamos conectar postos de recarga rá- pida para veículos elétricos entre Rio de Janeiro e São Paulo, na rodovia Dutra. Serão postos de recarga rápi- da, que recarregam em 20 minutos. Estão avaliando também os im- pactos dessas recargas na rede? Isso faz parte de um estudo que a gente tem, que está em constante apri- moramento. Mas vemos que a quanti- dade hoje é tão incipiente que mesmo se houvesse crescimento abrupto, não causaria um grande impacto. É mais a potência do posto, que é maior, e a in- fraestrutura onde estará instalado que devem ser adequadas para evitar da- nos à rede. Mas são adaptações peque- nas. Esse projeto deve ser lançado ain- da neste primeiro semestre Quais são os principais motiva- dores e tendências que estão pu- xando as inovações no setor? Uma tendência muito forte é a des- centralização, sem dúvidas, o consu- midor está muito no foco. A gente diz que tem três “Ds” que têm um impac- to muito forte no setor de energia: des- centralziação, digitalização e a descar- bonização. São conceitos interligados. Há uma consciência cada vez maior do consumidor, que pede cada vez mais o uso de tecnologias limpas, sustentáveis, que geremmenos impacto aomeio am- biente. A digitalização também é muito forte, porque o cliente já não vai mais avaliar uma empresa de energia elétrica em comparação com outra do mesmo setor, mas com outros prestadores de serviços. O consumidor quer ter uma gestão eficiente do consumo da sua re- sidência, quer ligar e desligar os apare- lhos através do celular. O conceito da casa conectada muda muito a dinâmi- ca do mercado. É ummercado que nos últimos 50 anos não mudou muita coi- sa, mas deve passar agora por mudan- ças disruptivas. Como é fazer essa transição pa- ra o mundo digital, considerando que essas empresas têm um gran- de volume de ativos físicos, mui- tos deles antigos? Isso tem a ver com a sustentabilida- de do negócio. É claro que tem uma barreira de entrada muito grande que é o alto custodesses ativos (digitais), e tem um retorno demorado. Mas, aomesmo tempo, os consumidores já estão se tor- nandodescentralizados, ou têmalguma autoprodução, isso já é uma realidade. Então temos que estar à frente desses movimentos, para mitigar os impactos. Temos que olhar isso como uma opor- tunidade, porque já temos um conhe- cimento muito aprofundado do setor, e isso é uma vantagem. Vejo que o con- sumidor temmais segurança em aderir a umnovo serviço de uma empresa que ele já conhece, que é mais robusta e so- bre a qual eles têm a percepção de que continuará no mercado. Isso é uma vantagem também para as startups que são aceleradas pela EDP? Para elas é muito importante, têm esse respaldo e para nós também, por- que criar novas competências dentroda empresa para acompanhar o desenvol- vimento dessas tecnologias, em ritmo tão acelerado, é difícil. Se unir a star- tups nessa parceria ganha-ganha traz esse benefício de atrair pessoas que es- tão imersas nessa novas tecnologias. n
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