Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018

Brasil Energia , nº 451, junho 2018 15 Ou seja, praticamente a metade da atual capacidade instalada total do Brasil, incluindo outras moda- lidades de geração, que soma no momento 167 GW. Em contraste, o Banco de In- formações da Geração (BIG), tam- bém da Aneel, indicava, no final de maio que somente seis empreendi- mentos estão em construção, totali- zando modestos 1.254 MW, contra um universo, em operação, de 220 UHEs, que perfaz 101,8 GW de ca- pacidade instalada. Também impressiona o fato de que a EPE, no Plano Decenal de Expansão 2026, tenha cogitado a construção, nesse horizonte de pla- nejamento, de tão somente uma oferta de 2.442 MW, representados por nove usinas. “É importante que se diga que, sob o prisma do planejamento energético, a decisão de manter o desenvolvimento de novas hidrelé- tricas, em hipótese alguma significa abandonar as outras renováveis, ou até mesmo alguma parcela de ge- ração termelétrica fóssil. Uma coi- sa não exclui a outra. Pelo contrá- rio: uma matriz elétrica se beneficia da diversificação de fontes”, obser- va Bernardo Folly de Aguiar, supe- rintendente de Projetos de Geração da EPE. Segundo ele, como os projetos maiores estão na região Norte em áreas de mata protegida e habita- da por povos indígenas, “tais ca- racterísticas tem dificultado sobre- maneira inclusive a realização dos Estudos de Inventário e de Viabili- dade Técnico-Econômica”. Um le- vantamento mostrou que 52 GW em potenciais aproveitamentos hí- dricos apresentam algum tipo de interferência direta com áreas le- galmente protegidas, como terras indígenas, quilombolas ou unida- des de conservação de proteção in- tegral ou de uso sustentável. Em cima da opção pela hidrelé- trica de maior porte, além, claro, da competição com fontes solar e eó- lica, que tem menor impacto am- biental e são construídas mais rapi- damente, pesa muito a resistência da opinião pública. E não só local, mas também em nível internacio- nal, tão intimidante quanto, já que mobiliza de chefes de Estado até celebridades com enorme trânsito na mídia convencional e em mídias sociais. Infelizmente, acabaram colabo- rando diretamente para essa ima- gem ruim – e de maneira particu- larmente forte – três megaprojetos classificados pelo governo da época como “estruturantes”. Licitados quase que em sequ- ência - 2007, 2008 e 2010 -, San- to Antônio (RO-3.568 MW), Jirau (RO-3.750 MW) e Belo Monte (PA- 11.233.MW ) passarão para história também como “as usinas da Lava- -Jato”, devido ao envolvimento de empreiteiras, executivos e políticos em pagamento de propinas. Além disso, embora tenham sido conce- bidos ou adaptados para funciona- rem a fio d’água, essas usinas ainda têm sua trajetória marcada por epi- sódios dramáticos e que, por mais que venham sendo operados e ad- ministrados com o maior esforço de responsabilidade socioeconômi- ca e ambiental possível pelos seus controladores, ainda despertam lembranças amargas. De rebeliões de operários em canteiros de obras a tropeços com reassentamento de população ribeirinha, tudo ficou gravado na mente dos brasileiros, restando pouco espaço para cele- brar benefícios Quase ninguém lembra que o projeto original de Belo Monte, por exemplo, passou por várias modi- ficações, até que a área alagada fi- casse reduzida dos 1.200 km² ori- ginais para menos da metade, 516 km², ao custo de uma enorme per- da de energia firme. No período de menor afluência do rio Xingu ape- nas algo em torno de 10% de toda a imensa capacidade instalada têm utilidade prática. Saulo Cruz - Divulgação MME Alves, da Chesf (dir.): sem Sobradinho, Nordeste teria passado por seca total

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