Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
16 Brasil Energia , nº 451, junho 2018 Hidrelétricas A esse quadro geral, contribui ainda para desanimar os investido- res as previsões de mudanças cli- máticas que têm potencial para al- terar o regime de chuvas no Nor- te do país condenando as usinas a, teoricamente, enfrentarem um de- sempenho progressivamente me- nor porque, estima-se, haverá me- nos água para gerar energia. Já a dependência de extensas li- nhas de transmissão num momen- to em que a geração distribuída (GD) está ganhando terreno rapi- damente no Brasil também preo- cupa. Por fim, mas não menos im- portante, há a preocupação com a escalada do risco hidrológico, com uma pendência que gira em torno de R$ 7 bilhões na Câmara de Co- mercialização de Energia Elétrica (CCEE). Agendado para agosto, o próxi- mo leilão de energia A-6 tem pre- visão de oferta de sete projetos que somam somente 333 MW. Em con- trapartida, estão cadastrados 28,6 GW de térmicas a gás natural, e a geração eólica que conta com 27,1 GW inscritos. Há ainda a fragilidade da ges- tão do presidente Michel Temer, lutando, a todo custo, para cum- prir o mandato até janeiro de 2019, quando deve passar a faixa ao seu sucessor, a ser eleito em outubro próximo. Mas, esse espaço de tempo é fundamental para que os empreen- dedores pró-hídricas se organizem para, em breve, oferecer aos candi- datos à Presidência da República, propostas de retomada de usinas com reservatórios, defende Mario Menel, presidente do Fórum dos Agentes do Setor Elétrico (Fase) e também da Associação dos Investi- dores em Autoprodução de Ener- gia (Abiape). Menel não tem dúvida de que essa discussão, diferentemente do passado, precisa começar com uma abordagem mais moderna. É pre- ciso demonstrar o valor das usi- nas com reservatórios, levando em conta todos os seus benefícios à so- ciedade, mesmo que a produção de energia fique em segundo pla- no. Regularização de rios, abaste- cimento humano, suprimento pa- ra irrigação e exploração racional de atividade turística, entre outros aspectos, formam um pacote bem mais atrativo, mesmo que as com- pensações ambientais não consi- gam contornar todos os impactos decorrentes das obras. “Hoje, e cada vez mais, estamos sentindo a necessidade de reserva- tórios não só para a produção de energia elétrica, mas também para segurança hídrica”. Nesse sentido, a comunicação do setor elétrico com a socieda- de é um dos aspectos que também precisa melhorar muito, segundo o presidente do Fase, porque, ao lon- go do tempo, as empresas e o go- verno não foram bem-sucedidos a ponto de trazer a opinião pública para apoiar bons projetos. As pessoas só têm olhos para o que não deu certo e não dão im- portância a tudo o que de positivo foi trazido às regiões de influência. Algo que mesmo o Ministério Pú- blico – seja estadual ou Federal – nem sempre leva em conta nas co- branças que faz, avalia. Esse grau de entendimento, ex- plica Menel, só poderá ser alcança- do a partir de um trabalho bastan- te integrado entre os principais ór- gãos de governo envolvidos – EPE, Aneel, MME, MMA, MP, Ibama Fu- nai e ANA –, como forma de for- talecer decisões e falar uma lingua- gem única. “A EPE julga de extrema impor- tância a retomada do debate sobre o tema com a sociedade. A iniciati- va deve ser conjunta entre o MME, EPE e Aneel com a participação dos afetados, das instâncias do judiciá- rio (em especial do Ministério Pú- blico), de organizações não-gover- namentais envolvidas com o tema”, corrobora Aguiar. Do ponto de vista de viabilida- de econômico-financeira, Menel acredita que há forma de levan- tar recursos para a construção de grandes hidrelétricas, mesmo que alguns bancos tenham restrições contra obras de maior impacto. De fato, o BNDES confirmou, por no- ta, à Brasil Energia , que continua disposto a financiar o segmento hi- drelétrico. Independente disso, há a possibilidade de também levantar funding por meio de debêntures, entre outros mecanismos. Menel calcula que é possível implantar um projeto desse tipo Cortesia Pinguelli, da Coppe-UFRJ: Brasil não vai avançar com projetos hidrelétricos com reservatórios
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