Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
Brasil Energia , nº 451, junho 2018 17 hoje a R$ 5 mil o quilowatt instala- do, mesmo levando em conta que as usinas estruturantes do Madei- ra e Xingu tenham saído a preços finais bem mais elevados que os inicialmente calculados. Se consi- derarmos apenas os 33,8 GW com eixo disponível para estudos, trata- -se, numa conta rápida, de R$ 169 bilhões em investimentos. “O assunto precisa ser trata- do com a seriedade que merece, de maneira mais objetiva e menos emocional. O Brasil tem uma legis- lação ambiental extremamente ri- gorosa que, se atuarmos bem, dá elementos para que se faça projetos ambientalmente viáveis, da forma correta”, avalia Cláudio Sales, pre- sidente do Instituto Acende Brasil. Ele lembra, por exemplo que o pa- ís nem tem tantos reservatórios de acumulação plurianuais. Seriam pouco mais de 20, apenas, num universo de 220 UHEs. “Mas são muito relevantes porque eles têm capacidade de armazenamento pa- ra o sistema nacional como um to- do”, destaca, lembrando, no entan- to, que nas últimas duas décadas, esse atributo vem “caindo vertigi- nosamente”, o que também justifi- ca a construção de mais empreen- dimentos com essa função. O debate sobre o desenvolvi- mento de hidrelétricas com reser- vatórios de acumulação é de gran- de importância, sobretudo diante da perspectiva de oscilações nos ín- dices de chuvas, o que cria dificul- dades no gerenciamento do abaste- cimento de água nos centros urba- nos, concorda Venilton Tadini, pre- sidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). “Nos projetos com reser- vatórios menores, nos quais conta- -se primordialmente com a vazão dos rios para a geração de energia, há menor impacto ambiental, mas também menor eficiência na gera- ção de energia – e não há ganhos sistêmicos na gestão dos recursos hídricos”, avalia. “Essa é uma questão de debate nacional. Outra questão é se deve ou aproveitar para geração de ener- gia”, comenta o recém-chegado à presidência da Chesf e ex-secretá- rio de Energia Elétrica do MME, Fabio Alves. Ele entende que o se- tor elétrico não pode colocar a pro- dução de energia na frente de tu- do. Mas lembra que se não fosse o reservatório da usina de Sobradi- nho (BA/PE-1.050 MW), o rio São Francisco talvez tivesse chegado ao nível zero no trecho, devido à for- te estiagem que vem assolando a região Nordeste nos últimos anos. A barragem, construída na década de 1970, permitiu regular a vazão de água – conforme orientações da ANA – de tal forma que foi possí- vel restabelecer parte do fluxo do Investimentos que poderiam ser aplicados nos 33,8 GW caso saíssem do papel, considerando custo de R$ 5 mil/KW R$ 169 Bi Projetos com registro ativo na Aneel 15,6 GW Investimentos que podem ser feitos nos 31,2 GW caso sejam considerados viáveis, considerando custo de R$ 5 mil/KW R$ 156 Bi Hidrelétricas com eixo disponível para estudos, mas sem interesse dos empreendedores 33,8 GW Hidrelétricas com eixo disponível para estudos, na mira de empresas 31,2 GW Capacidade instalada de projetos hidrelétricos em construção 1.254 MW Capacidade total das nove usinas previstas pelo Plano Decenal 2026 2.442 MW Hidrelétricas com mais de 30 MW reconhecidos 65 GW Potência total de projetos hídricos reconhecidos pela Aneel 81,6 GW Quadro nebuloso Um potencial sem uso, à espera de debates sobre seu futuro Menel, do Fase: assunto precisa ser tratado com seriedade
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