Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018
18 Brasil Energia , nº 451, junho 2018 Hidrelétricas rio, mitigando de alguma forma o impacto da seca em municípios ri- beirinhos. Também por isso, a pro- posta de privatização da Eletrobrás, prevê a destinação de recursos ex- clusivamente para a recuperação do “Velho Chico”. Contraponto Do lado dos que enxergam com restrições as hidrelétricas com re- servatórios, a motivação mais forte são os riscos ambientais que pairam sobre o bioma da região Amazôni- ca, quando se parte para a constru- ção de empreendimento desse tipo. Mesmo que se ofereça uma forma de intervenção mais “cirúrgica” e con- trolada como o conceito de “plata- forma” proposto pela Eletrobrás pa- ra São Luiz do Tapajós (PA-8.040 MW). Nesse caso, não seriam aber- tas vias de acesso à floresta, impe- dindo ondas migratórias e limitan- do ao mínimo a ocupação. Não con- venceu e o projeto está engavetado. Na visão do Greenpeace, cuja atuação é bastante conhecida mun- dialmente por ações arrojadas em defesa do meio ambiente, a região Amazônica é inegociável, até por- que, segundo defende, a defesa das hidrelétricas com reservatório por causa do equilíbrio do sistema elé- trico não é a única saída. “A questão da energia firme é su- perimportante de ser discutida, por- que o que a gente coloca, já há al- gum tempo, especialmente em anos de hidrologia baixa, é por uma so- lução preventiva”, destaca o coor- denador de Clima e Energia, Ricar- do Baitelo. Segundo ele, com um trabalho conjunto com o Deutsche Zentrum für Luft- und Raumfahrt (DLR), a Nasa da Alemanha, o Gre- enpeace desenvolveu o modelo Re- mix, que possibilita combinar gera- ção eólica, solar – inclusive na mo- dalidade concentrada - mais política de eficiência energética – com atua- ção na demanda - para, dessa forma, obter-se o mesmo efeito de equilí- brio. Baitelo não refuta a importân- cia das hidrelétricas existentes e in- forma que o modelo Remix até con- sidera o desenvolvimento de PCHs e de hidrelétricas reversíveis. Já professor de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ e ex- -presidente da Eletrobras, Luiz Pin- guelli Rosa, também não acredita no avanço de projetos de hidrelétri- cas com reservatório. Não por ser contra a esse tipo de aproveitamen- to, mas porque está convencido de que o Brasil não vai conseguir reali- zá-los. Ele entende que a sociedade organizada não concorda e não vai aprovar que se mexa com a região Amazônica. “Tudo é uma questão ambien- tal, de preservação da floresta”, re- força, mesmo que se procure expli- car que essa área sofre outras agres- sões muito piores como a invasão da agropecuária e o desmatamento predatório. E com a possível privatização da Eletrobras, acrescenta, aí é que os grandes projetos não vão mes- mo sair do papel. Segundo ele a iniciativa privada não tem interesse de bancar sozinha grandes investi- mentos dessa monta e com tama- nhos riscos associados. Os riscos são muito grandes, complementa Leonardo Calabró, que recentemente assumiu a vice- -presidência da consultoria Thy- mos Energia. Sem falar que a cons- trução de longas linhas de trans- missão, além de encarecerem o cus- to final da energia gerada tão longe, ainda deixam os consumidores vul- neráveis a problemas que, não raro, acabam em grandes apagões, justa- mente pela tamanha concentração de energia que flui por essas estru- turas. Independentemente disso, na visão dele não seria necessário partir para megaprojetos hídricos com o objetivo de resolver a ques- tão da intermitência das renová- veis. Por se concentrarem mais no Nordeste e, em volume menor no Sul do Brasil, térmicas a gás natu- ral, indica, resolveriam o problema. “Na minha opinião, bem como de vários cientistas e pesquisado- res brasileiros e estrangeiros, o Bra- sil não precisa e não deve voltar a construir grandes hidrelétricas na Amazônia, seja a fio d’água ou de grandes reservatórios”, afirma Si- mone Athayde, pesquisadora no Programa de Conservação e Desen- volvimento Tropical do Centro de Estudos Latino-americanos da Uni- versidade da Flórida. O Brasil tem muito que apren- der com os projetos das hidrelétri- cas do Complexo Madeira e de Be- lo Monte, explica, os quais tiveram um custo social, econômico e am- biental muito maior do que inicial- Reprodução YouTube – Divulgação Baitelo, do Greenpeace: modelo para equilibrar sistema elétrico, sem novas hidrelétricas
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