Brasil Energia | Ed. 451 - Junho, 2018

20 Brasil Energia , nº 451, junho 2018 Hidrelétricas “A Engie tem interesse em hi- drelétricas novas, hidrelétricas de médio porte e até mesmo de adqui- rir hidrelétricas prontas, como foi o caso da relicitação das usinas Ja- guara e Miranda, ex-Cemig”. No caso da SPIC Pacific Hydro, a empresa acompanha de perto as discussões em torno de novos pro- jetos, segundo a gerente-geral da companhia no país, Adriana Wal- trick. No entanto, o Brasil precisa primeiro concluir as discussões em torno do assunto para que os in- vestidores possam tomar suas deci- sões, segundo a executiva. Sergio Fonseca, diretor de De- senvolvimento de Negócios, da CTG Brasil, por email disse que a empresa vê a hidroeletricidade tão importante para projetos futuros, assim como a eólica e a solar. “A geração hidroelétrica possibilita ar- mazenamento de energia, e por is- so complementa e viabiliza as fon- tes eólica e solar, com o benefício de ser limpa. A CTG Brasil avalia- rá oportunidades de investimentos em hidrelétricas. O potencial hi- drelétrico está principalmente na região Norte, mas entendemos que uma grande parte deste potencial não será explorado para proteção ambiental ou indígena”, afirmou Fonseca. Já a CPFL Energia conta que pretende manter o foco, nos pró- ximos cinco anos, “em iniciativas operacionais, de inovação e tecno- logia para otimizar a produção de energia e a disponibilidade das hi- drelétricas que integram o seu por- tfólio”. Na mesma linha, a EDP Bra- sil afirma que está focada em reali- zar as obras dos ativos contratados em transmissão, que somam apor- tes de R$ 3 bilhões. Entretanto, a companhia seguirá avaliando opor- tunidades de investimento em toda a cadeia de valor”. Fornecedores A situação atual dos fabricantes de equipamentos para geração hi- drelétrica não é das mais confortá- veis. Sem novos empreendimentos de grande porte no radar e comple- tando o fornecimento para usinas que já estão com construção em andamento ou em fase final, as em- presas se dedicam no momento a explorar mais o segmento de mo- dernização e retrofit de aproveita- mentos. Roberto Barbieri, da área de GTD da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abi- nee) aponta que o Brasil não deve- ria perder a oportunidade de conti- nuar a explorar o potencial hidre- létrico remanescente até que se es- gote. Mas considera que usinas na Amazônia são mais complicadas de vislumbrar devido ao risco ambien- tal e necessidade de longas linhas de transmissão entre outras ques- tões. Como saída para o segmento de GTD, enquanto não saem novos projetos hídricos, talvez o mercado para exportação fique mais atrati- vo, tendo em vista a recuperação do dólar frente ao real. Sérgio Parada da Andritz Hydro Brasil (AHB), que finaliza a entrega de máquinas de geração para Belo Monte e também participou da mo- torização de Santo Antônio e Jirau no rio Madeira, sente muito a falta de novos projetos hidrelétricos. Ele revela que os fabricantes de equi- pamentos estão com linhas vazias e vem dispensando empregados por causa da escassez de encomendas. Avalia, no entanto, que a retoma- da de usinas com armazenamento plurianual é uma decisão de gover- no. “Existe uma resistência ainda grande da sociedade até por lobby de outras fontes e contra as hídri- cas”. De acordo com Mauro Cruz, lí- der da GE Hydro para a Améri- ca Latina, é importante olhar com cuidado os projetos de hidrelétri- cas na Amazônia porque é neces- sário “conciliar o elemento ecológi- co, as comunidades indígenas e lo- cais”. Segundo o executivo, gerado- res, transmissores e fabricantes tem a responsabilidade “de fazer tudo que é necessário para aproveitar es- sas vantagens [dos projetos hidre- létricos], mitigando ao máximo os custos sociais e ecológicos da im- plantação”. “O Brasil é enorme e precisa de uma energia confiável. Quanto mais crescemos, mais capacidade de geração é necessária e se adicio- narmos – pensando em energias re- nováveis – somente solar ou eóli- ca temos o problema de depender das condições climáticas para a ge- ração”, indica. n Sales, do Acende Brasil: legislação ambiental rigorosa

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