BE Petróleo | Ed. 452 - Agosto, 2018
34 BE Petróleo , nº 452, 1 de agosto de 2018 Jason Carneiro OPINIÃO Jason Carneiro é executivo e empreendedor do setor de petróleo, tendo exercido outras funções na indústria e na ANP. Atualmente é Gerente Executivo de Contratos da Pré-Sal Petróleo S.A. Escreve quadrimestralmente para a BE Petróleo tende a crescer quando o número de proje- tos em que ela participa cresce. Ciente disso, o governo realizou mais rodadas e propôs a oferta permanente. Os resultados até o mo- mento estão concentrados no Pré-Sal – no- vas áreas de exploração operadas sobretudo pela Petrobras. É caso de comemorar os pri- meiros passos, e seguir avaliando o impac- to sobre os empregos na indústria no Brasil. Primeiro, e especialmente se o preço do óleo se mantiver em níveis um pouco mais al- tos, devemos ver a recomposição das equipes para fazer frente ao nível de trabalho atual. Al- gumas empresas talvez tenham cortado mais pessoas do que deveriam: nomercado o que se ouve é que aqueles profissionais que puderam manter os empregos estão sobrecarregados. Ato contínuo, se quisermos que haja mais empregos no Brasil, os portfólios aqui preci- sam se expandir. Mas não apenas isso: quan- to mais projetos a empresa opera, a tendên- cia é que sua dotação de pessoal cresça com relação às não operadoras. Se a empresa está presente em vários países, a concentração de pessoas costuma favorecer o país-sede (onde ela reúne especialistas) e aqueles países que são core areas de seus portfólios. A produ- ção operada costuma fixar mais gente que a exploração. A diversificação dos investimen- tos em plays diferentes pode suscitar equipes com perfis diferenciados. O Brasil dispõe de plays com diversidade mais do que suficien- te para suportar a atividade de empresas de todos os tamanhos, níveis tecnológicos e ca- pacidades de investimento, gerando os cor- respondentes empregos. Não se pode desconsiderar a Indústria 4.0 e seu potencial impacto sobre os empregos. Quem olha de perto pode ver seu emprego desaparecendo, pela automação; quem olha de longe, vê os empregos se transformando, e a necessidade de estarmos preparados. Pa- ra além dessa discussão, eu apostaria que a mera expansão dos portfólios no Brasil, ex- plorando a diversidade dos nossos plays, da- ria conta de contrabalançar com vantagem eventuais efeitos negativos. Um Estado pode ajustar seu portfólio para efeitos desejados: mais empregos, em mais lugares, de perfis diferenciados, com mais eficiência e nível tecnológico crescen- te. Como ajustar as partes móveis do sis- tema para atrair investimentos de um por- tfólio maior e mais diversificado de empre- sas, nacionais ou estrangeiras, estabelecidas na indústria ou novas entrantes, e empre- gar mais pessoas, com eficiência crescente? Quanto às pessoas, o que todos queremos são oportunidades de desenvolvimento, e cumprir com as nossas responsabilidades. Investimentos globais em óleo e gás, 2012 a 2018
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